quarta-feira, 31 de outubro de 2007

...Vizinhos...

A vizinhança para quem mora em prédio, muitas vezes, é desconhecida. É o meu caso. No máximo um “Oi, bom dia (tarde, noite)!”, não passa disso. Às vezes, um segura o elevador para o outro subir; ajuda a carregar as compras do supermercado, mas nada além. Só resolvem se conhecer quando acontece algum problema: uma música muito alta, muita gente gritando ao mesmo tempo num apartamento minúsculo, daí , já viu, é campainha tocando, interfone, tudo junto. No outro dia, bronca do síndico.
Engraçado que ninguém pode reclamar do som ALTÍSSIMO de Calipso, já pela manhã em pleno sábado, domingo ou feriado. Nada contra (nem tampouco a favor) a banda, contudo, são dias em que pretendemos descansar, dormir até um pouco mais tarde, enfim. O fato é que acordar com certos gritinhos estridentes de “a lua me traiuuuu” ou “isso é calipsoooo”, que atravessam as paredes nada finas q ligam os apartamentos, não é o meu despertador favorito.
Pois bem, viver e conviver com pessoas diferentes da gente, com costumes e hábitos completamente distintos dos nossos, não é tarefa das mais fáceis, porém não podemos parar de viver por isso. Afinal de contas, a vida tem que continuar, com ou sem vizinhos!

sábado, 27 de outubro de 2007

Aguas Claras

Águas Claras

Não tem muito que se achar aqui nessa cidade, onde eu volto a dizer: Nada acontece.
Ainda não tinha postado nada sobre a minha comunidade, porque não tinha encontrado nada que fosse interessante para compartilhar no blog.
Mas como dizem, quem procura acha, eu achei um projeto social, desenvolvido pelo Colégio Leonardo da Vinci, que fornece bolsas de estudos. Apesar de muitos não saberem, o Leonardo da Vinci faz parte de Águas Claras.
Em águas Claras existem vários prédios de luxo, mas para uma cidade “planejada“ falta muito. A vizinhança é relativamente pacata. Claro que existem exeções, mas onde não tem.
Aqui na minha respectiva cidade, Águas Claras, que de clara só tem o nome. Por que na época de chuva, é a lama “clara” e na seca, é a poeira também é “clara”.
Essa é a minha cidade!

Por Hélida Fernanda

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Meu Bairro

Pensar no meu bairro, na minha casa é estranho, pois só estou em casa enquanto durmo. Minha casa é somente um dormitório, são raros os momentos em que estou em casa fazendo outra coisa ou em outro horário. Há 21 anos que eu morro no mesmo lugar, mas somente depois dos 12 anos que realmente descobri a história do lugar onde me criei. Nasci em Taguatinga, mas moro no Setor"O". Barro da cidade de Ceilândia, que começou com uma invasão e com o passar do tempo se tornou uma cidade satélite.
Por mais que a cidade seja discriminada por algumas pessoas que conheço, gosto de morar lá. O bairro é tranquilo, onde as pessoas conseguem caminhar na rua sem serem assaltadas há todo momento, o índice de assalto baixou muito nos últimos anos.
Uma coisa bem interessante é como as crianças gostam de brincar na rua, até parece que lá ainda não chegou internet nem mesmo a televisão, mas mesmo assim acredito que isso é uma coisa muito positiva, acredito que criança tem que ser criança, para depois serem adultos bem melhores dos que temos hoje.
Então viver é preciso.



Por: Fabiula Vasconcelos

domingo, 21 de outubro de 2007

Cidadania com reciclagem


















Fúlvio Costa

Trabalho conjunto tem sido o caminho da comunidade de recicladores que luta por uma vida melhor. Conquistas, fracassos e sonhos fazem parte de seu cotidiano, mas como impulso para aspirações futuras.
Quem já visitou ou já ouviu falar nela, a conhece por Comunidade RECICLO (Reciclagem e Cidadania). Eu prefiro chamá-la de comunidade da esperança. Comunidade dos que lutam por voz, oportunidade e por um horizonte diferente daquele visto e experimentado por eles até hoje.

A RECICLO está localizada em Taguatinga Sul-DF para compor mais um cenário controverso e banal do Brasil. De um lado está o suntuoso prédio com traços greco-romano do colégio Leonardo Da Vinci. Do outro, o bairro de classe média, Águas Claras. Os pouco mais de cem catadores da comunidade são mais um retrato da disparidade social. Uma evidência entre tantas outras pouco remediada pelas autoridades.


A comunidade é formada por famílias que levavam a vida a pedir nas esquinas de Brasília. “A vida ia passando pedindo. Os calos nos meus pé ficaram de tanto eu ficar no chão esperando pelos outro. Eu não fazia outra coisa a num ser pidir”, afirmou Maria Francisca quando se aproximou da entrevista que eu estava realizando com Gervásio dos S. da Silva.

Gervásio, 47, diz que “tudo é bom enquanto dura”. Quando perguntado como chegou até ali, diz ter passado muito sofrimento. Explica o que passou nas longas viagens por alguns estados do Brasil: das dificuldades e de como deixou de ser andarilho. “Um dia eu vi que se eu continuasse naquela vida, não ia parar em lugar nenhum”. Vindo de Bom Conselho, Pernambuco, ele lembra do sofrimento que passou nas mãos do padrasto quando era criança, das quatro esposas que já fizeram parte de sua vida e dos 18 filhos.

Hoje se sente feliz por ter a união da família, as conquistas da RECICLO e o sonho de possuir um local digno para morar. Para ele, a maior vitória da comunidade é ter parceiros que colaboram com o andamento dos projetos, que encaminham a luta da cooperativa e se preocupam como se fossem partes daquele ambiente.

Outro orgulho de Gervásio é a filha Jaqueline Sousa, 20, que é presidente da cooperativa e articuladora com o apoio dos parceiros da comunidade. Jaque, como é conhecida na comunidade, está na liderança há quatro anos, e, apesar das dificuldades, ela luta e gasta a maior parte de seu tempo na construção dos sonhos da comunidade. Já esgotado o período na liderança da RECICLO, ela está à procura de uma nova presidência para assumir seu lugar, mas sente dificuldades para encontrar alguém com determinação, coragem e espírito de liderança.


O peso do trabalho na comunidade RECICLO é paralelo ao pouco dinheiro que ganham: os catadores que mais se esforçam têm recebido nos últimos meses R$60, e os que trabalharam menos, receberam R$15. É algo que foge dos planos de qualquer ser humano. Para eles a saída tem sido buscar recursos por meio do trabalho artesanal: “temos feito tampas de jarra, cadeiras de garrafa pet e leques de jornal”, disse Jaqueline.

As dificuldades cercam de várias formas trabalhos ligados ao contato direto com o lixo. Sobre o preconceito, eles nem ligam mais. “As pessoas ainda nos olham torto, fecham a cara”, diz Gervásio, mas já percebem que as mudanças vêm ocorrendo gradativamente. “Tem gente que até nos dá bom dia, boa tarde. Perguntam assim: Como vai, seu Gervásio? Eu respondo que vai bem”, afirmou contente o mais velho dos catadores da RECICLO.

Apesar do longo caminho de lutas e possíveis fracassos que poderá ter pela frente, a comunidade sonha alto em pouco tempo, pois acredita que já conseguiu algo. A luta dos catadores tem olhar infinito e busca constante, tem objetivo e força de vontade. É isso que lhes assegura um caminho com brilho nos olhos e trabalhos em punho para a luta contra a pobreza que subdivide todo o Brasil.
Fotos: Rudney Victor