Uma cama singela. Uma porta de cobertor, um sofá feito de papelão. E a lona que cobre o chão. Retrato de uma realidade tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante. Assim vivem os habitantes da Comunidade de catadores de materiais orgânicos Reciclo. Com muitas dificuldades, sobretudo no que diz respeito à habitação e estrutura, dividem seus espaços com pessoas que têm o mesmo sonho de ganhar um lugar próprio para construírem suas verdadeiras casas.
Apesar da situação ser precária, cada família tem seu canto, sua moradia, ao qual eles se referem como “barracos”. Alguns têm ajudas de programas federais, mas nem todos as recebem. Dessa forma, uns ajudam os outros e vivem da maneira que lhes é permitida. Um exemplo é com relação à alimentação. Às vezes, quando a fome “aperta” é necessário recorrer às pessoas de boa fé nas ruas ou esperar a boa vontade de outros.

Mas como já dito, habitação e estrutura podem ser considerados os maiores obstáculos enfrentados pelos moradores. Banheiro não “existe” na comunidade. E, consequentemente, a higienização do local é preocupante. Na hora de cada um fazer suas necessidades físicas é preciso se esconder no meio do mato. E como não existe um sistema de saneamento, as coisas são feitas em qualquer canto, de qualquer jeito, sem muita preocupação com limpeza. Assim, muitas doenças podem surgir a partir dessa falta de conscientização. Na hora do banho é sempre um sacrifício. É preciso de uma carroça para buscar a água e, novamente, nem todos dispõem desse benefício. Joselita Socorro, 40 anos, por exemplo, precisa pagar R$5,00 para que seu vizinho a traga um pouco de água, e nem sempre tem esse dinheiro.

Além disso, as condições dos dormitórios são precárias. As pessoas dormem em seus “barracos” feitos de lona e coberta com um cômodo só, o que os deixam à mercê de problemas que atrapalham suas noites de sono. Quando não é um fenômeno da natureza, como um vento muito forte ou a chuva, ou então alguma pessoa que ameaça derrubar as casas ou abusar de alguma moça, uma dificuldade que pode parecer banal surge para perturbar, principalmente, as crianças. Como a maioria das camas é, na verdade, colchões em cima de papelões colocados em tábuas de madeira, uma grande quantidade de poeira e mofo se acumula, o que faz com que os pequenos moradores dessas casas passem dias e dias com gripe e tosse, por exemplo.
Muitas barreiras,como vimos, são “colocadas” em frente a essas pessoas. No entanto, percebe-se que a esperança de um futuro com condições de moradia melhores brilha nos olhos de cada morador. A maioria não possui muitos bens matérias, mas todos acreditam na felicidade de um dia possuírem suas próprias casas, e não mais apenas “barracos”.
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