sexta-feira, 1 de junho de 2007

Jeito de se morar







Seis horas da manhã. Hora de levantar, acordar as crianças, preparar o café. A tarefa seguinte é levar a filhinha Ketlen à escola. Mas, como é caminho, aproveita e leva também os filhos dos outros vizinhos para estudar. Depois é hora de pegar a carroça, montar o cavalo e mãos à obra: catar papéis, materiais recicláveis, resíduos sólidos. Meio de sobrevivência e união daqueles que vivem numa comunidade que tem função de moradia e trabalho.
Na volta, a coleta é armazenada num galpão. Mas o trabalho não pára por aí. É hora de pegar as crianças na escola e preparar o almoço. A moradia é um barraco feito de lona e madeira. Se não tiver nada para cozinhar é só pedir a um vizinho que logo se prontifica a ajudar. Banho, só a noite. “As crianças brincam muito, se tomarem banho cedo, se sujam”, conta Cristiane Ribeiro da Silva, personagem desta história, moradora da comunidade Reciclo.
Na Reciclo, uma cooperativa situada em Taguatinga Sul, Cristiane é mais conhecida por Tati. Aos 24 anos de idade e com dois filhos, Kelten Siqueira (5) e Kelve Siqueira (3), ela não se desanima com a vida que leva. Pelo contrário: em seu rosto a alegria, o contentamento e a esperança de um dia melhor.
Antes de se mudar para a Reciclo, Tati morava com os filhos e o ex-marido, na Ceilândia, onde pagava aluguel. Trabalhadora autônoma vendia doces, balas, canetas. Época em que faltava comida na mesa e se sentia insegura, ela conta.
Há três anos morando na Reciclo, Tati afirma que não sente medo. “Todos aqui se conhecem na comunidade. Se entra alguém diferente, um avisa para o outro para ficar de olho. Eu tenho medo é da polícia que entra com a sirene ligada, medo dela (a polícia), levar algum jovem daqui”.
Os barracos das 42 famílias de moradores da comunidade Reciclo são alvos de constantes derrubadas. O motivo é que eles foram construídos em àrea pública. Tati reconhece que as derrubadas ficam na memória dos moradores, mas, "a fé em Deus os fazem superar", considera. Esperançosa, a catadora pensa no futuro dos filhos. Deseja vê-los "bem empregados e morando bem”. Ketlen, a filha mais velha que cursa a 1ª série do ensino fundamental em escola da rede pública, conversa com a mãe. Ela diz que quando crescer, não quer puxar carroça. "Ela quer ser bailarina, professora”, comenta Tati, que defende o estudo como forma de sua filha conseguir o que deseja

Feito por: Elaine, Gesiane , Luciana

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