Fúlvio CostaBoa parte das pessoas que moram próximas de minha casa são jovens-estudantes da Universidade Católica. Moro num prédio de três andares que fica na CSG 2, quadra em frente ao campus universitário. Outros são apenas trabalhadores assalariados que passam a semana fora. Essas pessoas como a maioria dos brasilienses, ficam fora de casa o dia inteiro e só retornam ao anoitecer, fazendo de seus lares somente um local para prática de funções primárias como dormir, se alimentar, descansar. Ao redor do prédio existem poucas residências. O horizonte dá lugar a espaços ainda vazios dominados pelo mato e galpões abandonados, cuja função é servir de subterfúgio de famílias carentes vindas do Nordeste que o assume como seu lar pelo tempo que puderem. As ruas são organizadas e todas asfaltadas, o que dá um aspecto agradável ao bairro. Ali também há um grande número de fábricas e distribuidoras de produtos alimentícios, móveis, refrigerantes. Mas o que de fato chama a atenção nas redondezas são os inúmeros motéis. Alguns servem de espaço e incentivo para prostituição de adolescentes e adultas, que trabalham na frente dessas casas recebendo uma quantia que ficam para si e a outra fica para o motel. As ruas também servem como espaço para aguçar ainda mais essa profissão informal e como conseqüência, o ambiente é regularmente freqüentado por homens à procura de satisfazer o prazer sexual, o que dá um aspecto e característica peculiar a essa parte de Taguatinga. O bairro já é conhecido por arrabalde do prazer. Falou em Taguatinga Sul, mais precisamente nas proximidades da UCB, já se sabe: paraíso de satisfação de prazeres.

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