quarta-feira, 4 de abril de 2007

A síndrome de aversão a Brasília

olá pessoal, estava aqui, mais uma vez revirando meus arquivos e encontrei outro texto bem interessante do professor Adalberto Lassance. Creio que esse texto contém algumas idéias bem relevantes para o desenvolvimento do nosso debate em relação a Bairros e Vizinhanças...
A síndrome de aversão a Brasília (I)
Por Adalberto Lassance
Brasília, Capital Federal, Brasília, sede do Governo do Distrito Federal, Brasília sede das embaixadas estrangeiras. "Brasília, Capital da Esperança". a Brasília de JK,. A Brasília de Lúcio Costa. A brasília de todos nós. Brasília de louvores. Brasília de muitos amores!
Parece que todos amam brasília, ou o nome de Brasília. Entretanto, apenas parece. Pelo menos para os habitantes do distrito Federal. Embora paradoxal, os habitantes do DF têm raiva do nome de Brasília, ou até mesmo da cidade de Brasília . até mesmo seus moradores a desprezam.
Mas que absurdo, que despautério, dirão os leitores. Com que base afirmo isto, com tanta convicção, com tanta firmeza, perguntarão por certo, impressionados com a ousadia de minha acusação.
eu explico, bem explicadinho. A aversão ao nome de Brasília tem origem patológica. É uma doença. E altamente contagiosa. Pega pelo simples contato na conversa do dia-a-dia, no bate papo jogado fora. Não importa se os interlocutores estão mais perto ou um pouquinho mais longe. É uma doença terrível. Tão perigosa, tão contagiosa, que não precisa de contato físico. É insidiosa, sorrateira, agressiva e altamente nociva. tranforma-se num vício e como tal é dolorosa, difícil de se livrar dela.
A sua periculosidade ainda é mais apavorante porque contamina todas as classes sociais. Analfabetos e doutores, intelectuais e operários, jornalistas e professores, políticos e autoridades, de todas as raças e religiões também.
"Zé povinho, ou "Zé povão", todos se contaminam: - é a síndrome da aversão a Brasília.
Se você não acredita em mim, tudo bem eu sou conformado. Não é à toa que também a descrença no próximo quase virou doença. Mas eu lhe peço, caro leitor: em respeito a sua própria inteligência pois inteligência não é um privilégio do rico, mas também do pobre, do negro, do branco, do analfabeto - então, atende para o que vou lhe dizer...
A Síndrome da aversão a Brasília (II)
Se você, homem do povo. Se você, autoridade. Se você, jornalista. Se você, professor. Se você, político. Se voc, criança ou adulto, ainda não foi atacado pela síndrome de averssão a Brasília, porque então você não fala em alto e bom som, com todo o orgulho: moro em Brasília, vou a Brasília, estudo em Brasília, trabalho em Brasília.
Não!...A febre alta provocada pela grave síndrome a qual falei, faz-lhe entrar em desvario. E aí sem noção do que é certo ou errado, você "viaja" e afirma: moro no plano piloto, vou ao plano piloto, estudo no plano piloto, trabalho no plano piloto...
Escrevi plano piloto com iniciais minúsculas, você percebeu? É isso mesmo, não está errado não, está certo! Com todo o respeito à genialidade de Lúcio costa , plano piloto com letra minúscula - não tem nada a ver com o respeito que lhe devo e ele merece - é para ensinar a você que plano piloto é tão somente o desenho inicial que deu origem à concepção urbanística de Brasília. Também é o plano piloto área parcial definida, delimitada para o tombamento de Brasília, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. Veja bem, Brasília não e não só o plano piloto, foi reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Assim, o plano piloto é tão somente um plano, um desenho, um projeto. A rigor, hoje ele só existe como tal. A maravilhosa Brasília, a Capital Federal do Brasil, moderna, exuberante, estuante de vida, é seu rebento único, inigualável.
Então por que você, autoridade. você jornalista. Você professor. você escritor. você criança ou adulto, só fala em palno piloto, fazendo Brasília desaparecer do cotidiano da mídia, dos livros,e até dos mapas? Você não acredita no que eu digo? Então preste atenção: leia os jornias do Distrito Federal, assista os programas locais de rádio e televisão, veja os mapas, consulte a lista telefônica.
Aí eu lhe pergunto de forma até patética: por que a "síndrome da aversão a Brasília" se arraigou tanto em suas entranhas? Eu porém, lhe desejo oferecer um remédio milagroso, embora não seja médico nem milagreiro:
PENSE, medite nestas "mal traçadas linhas". Elas podem curálo definitivamente dessa doença apavorante provocada pela ignorância do que é verdadeiramente Brasília e do que é verdadeiramente o plano piloto.
Que você goze de uma boa saúde são os meus desejos. Sinceros, acima de tudo, pelo respeito que lhe tenho como cidadão de Brasília, a capital de todos os brasileiros, e como cidadão da "nossa pátria amada Brasil"!...
Adalberto Lassance é cartógrafo, pesquisador, professor e acadêmico do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal é autor do livro BRASÍLIA & DISTRITO FEDERAL - Imperativos Institucionais, utilizado como fonte dessa matéria.

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