terça-feira, 27 de novembro de 2007
Esse é meu Bairro
Foi o berço da dupla sertaneja Rick e Renner e foi projetado para ser um bairro de Taguatinga, o "setor oeste", mas foi inserido na Ceilândia. É servido por diversos serviços como casa lotérica, agência bancária de conveniência, supermercados, farmácias, floriculturas, setor de oficinas e industria, além do extinto setor de mansões. Localizado às margens da BR070 que liga Brasília a Águas Lindas (GO), é um lugar de fácil acesso. Ao entardecer pode-se ver o sol se por sobre o lago formado pela barragem do descoberto, e apenas 2km dali, pode-se desfrutar de várias nascentes e córregos protegidos pela CAESB. Dispõe de oito estabelecimentos de ensino público desde a Educação Infantil ao Ensino Médio, tendo neste segmento uma escola-referência para a comunidade, o Centro de Ensino Médio 9, conhecido popularmente como "Duque", que conta com a biblioteca Maria Marly da Cunha Gomes, em homenagem a importante professora e diretora da instituição.
E essa é a historia de meu bairro.
A magia do natal
Por Karina Ferraz
As crianças da Reciclo riem a toa nessa época do ano. O motivo nada mais é do que a chegada do natal. Enquanto as crianças de classe média irão receber presentes caros e novinhos a meninada da reciclo receberá doações. Os brinquedos de novinhos não tem nada, mas isso é o que menos importa para eles. O que importa mesmo é o significado do presente.
O ro-rô-rô-rô do Papai Noel é o que os pequeninos da comunidade mais gostam no bom velhinho. As risadas são gostosas quando alguém imita o Papai Noel. A fantasia é muito presente entre eles, “Papai Noel existe sim”, diz Gabi*, quando um dos jovens que reside na Reciclo, passa e diz que Papai Noel não existe.
É admirável ver crianças tão carentes se alegrarem ao pensar no símbolo do natal com tanto amor. O fato de elas morarem em uma comunidade de catadores não as torna crianças amargas e sofredoras, muito pelo contrário, a todo o momento estão rindo, brincando, correndo, tomando banho em bicas, literalmente fazendo artes. Sabem que a mesa no dia do natal não será farta como será da população, sabem que os brinquedos não terão cheirinho de novo, mas isso tudo não importa para eles. O eles mais querem é se divertir com o pouco que tem e dão muito valor, dizem as mães.
Se os jovens do nosso país parassem para pensar um pouco como é a vida de quem não tem uma vida fácil, muita coisa iria mudar. Hoje quando se abre um jornal, uma revista ou assiste a um noticiário sempre encontra notícias sobre a irresponsabilidade dos jovens e eventuais acidentes devido a isso. Os jovens em sua maioria são de classe média a alta. Por não terem noção do que é uma vida sofrida fazem da deles o que querem a seu bel prazer. Um dia com as crianças da Reciclo eles entenderiam e dariam mais valor em tudo o que tem. Mas lembrando as crianças da comunidade não choram a todo o momento por não ter o que os outros têm, elas fazem melhor que isso, sorri muito e estimula qualquer adulto a não desistir de viver.
Foto:Laura Mariadomingo, 25 de novembro de 2007
Reciclo - Visando o futuro!
Um dos maiores problemas que hoje atingem a natureza e o homem é o excesso de lixo produzido por nós e jogado no meio ambiente. O lixo orgânico não causa dano nenhum à natureza, porém o material que chamamos lixo seco ou inorgânico, esse leva meses ou anos para desaparecer. Pensando nisso o governo hoje apóia muitas comunidades de reciclagem de lixo. Essas comunidades fazem a coleta do lixo reciclável, levam para um local onde é separado esse material e lá fazem transformação de lixo para materiais utilizáveis.
No Distrito Federal existem já algumas comunidades que fazem esse trabalho. Umas delas é a Comunidade RECICLO, localizada atualmente no Pistão Sul, atrás do Carrefour. Hoje moram nessa comunidade 42 famílias e juntas tem 85 crianças que são sustentadas pelo trabalho que os pais fazem nas ruas.
Jaqueline Souza de 20 anos, mãe de um menino de 2 aninhos é hoje a atual presidente da cooperativa. Segundo Jaqueline eles moram neste local há 10 anos e há 5 anos formaram a comunidade RECICLO que com a garra de cada trabalhador e o apoio da Caixa Econômica e da Universidade Católica de Brasília, hoje é reconhecida pelo GDF – Governo do Distrito Federal e ganharam o direito de casa própria e dignidade em seu trabalho.
O lixo que é levado para lá é reaproveitado para fabricação de puffs feitos com garrafas pet, diversos enfeites para casa, os papeis são levados para empresas que o reaproveita. Depois da fabricação desses matérias eles são vendidos para empresas grandes e nas ruas.
A RECICLO ainda é uma cooperativa que está crescendo e conquistando seu espaço, mas a visão de melhora do meio ambiente que eles transmitem é muito grande. Apesar do nível de escolaridade ainda ser baixo, essa comunidade tem valores muitíssimo ricos a passar. O trabalho que é feito por cada um deles hoje aumenta mais um dia na vida do planeta que futuramente talvez não saiba como lhe dar com o desastre ambiental que nos próprios estamos construindo e causando.
sábado, 24 de novembro de 2007
LIXO! Desperdício? Não... Utilidade e Criação.
A comunidade de catadores da Reciclo nos revela a imensidão de arte que as lixeiras guardam. A reciclagem proporcionou melhores condições de vida e trabalho para aqueles que vivem da coleta. Em cada rosto e em cada sorriso, transborda a esperança de dias melhores. A alegria que cada um tem em divulgar seu trabalho, suas conquistas e projetos, nos mostra o quanto é importante o ato de reciclar, de criar e recriar. De transformar.
18 de agosto de 2007. Legalização do trabalho da Reciclo. De lá pra cá os catadores vêm conquistando o seu espaço a cada dia. Resultado disso é o Condomínio Villa Clara, em Águas Claras-DF que é o primeiro ponto exclusivo de coleta dessa comunidade. “É interessante porque vai tocar na conscientização até dos próprios moradores. O ato de separar o lixo orgânico do inorgânico já vem sendo divulgado há algum tempo. Mas acho que as pessoas ainda não dão muita importância para essa divisão. É mais questão de costume e isso tem que ser trabalhado diariamente”, diz o morador de Águas Claras José Ferreira, 62 anos.
Com a oportunidade de se ter um ponto de coleta exclusiva, os membros pretendem conquistar outros espaços. E assim, disseminar seus trabalhos.
Moradores da Reciclo fazem criações de verdadeiros artesãos com o material encontrado nas ruas. Bonecas, bolsas, puffs e outras coisas. E é com a reciclagem que essas pessoas conquistam o sustento de cada dia. É a comunidade da luta, do suor, da garra... Da Vitória.
ENTREVISTA
Mulher, guerreira. Mônica dos Santos da Silva, de 21 anos, é uma das moradoras da Comunidade Reciclo. Tem nela todos os sonhos do mundo. Luta em defesa de seu espaço, de sua gente. Em sua comunidade é catadora de materiais recicláveis, agente educacional e secretária.
Como você passou a fazer parte da Reciclo?
Eu já morava na comunidade. A Reciclo ainda não existia. Só passou a existir quando a Pastoral foi levar café da manhã pra gente e nos deu a idéia de formar uma cooperativa.
Como é a sua estrutura familiar? É casada? Tem filhos?
Não sou casada no papel, mas tenho um companheiro. Tenho dois filhos.
Qual a importância da Reciclo pra você?
Ela me deu tudo. Hoje eu tenho vontade de lutar por um país mais justo e também luto por uma vida melhor para os meus filhos.
Qual a sua expectativa quanto ao futuro dos seus filhos?
Quero que eles possam ter uma boa educação. Que possam ter um bom estudo. Que eles possam morar em uma casa com boa estrutura.
Tem algum sonho? Qual?
Sim. Ter a minha casa e também um local para que eu possa trabalhar com a reciclagem.
Que atividades você gosta? De ler? Escrever?
Gosto de ler, escrever, dançar e ouvir música.
Você acha importante a profissão de jornalista?
É importante porque divulga o trabalho das pessoas, como o nosso da Reciclo. E também nos descreve as realidades do mundo.
O que você aprendeu durante as oficinas desenvolvidas pelos alunos de Jornalismo Regional da Universidade Católica em prol da sua comunidade? Que aprendizados você teve?
Foi muito importante. Eu aprendi como se deve falar e agir em lugares privados e também a lidar em grupo. Aprendi a mexer no computador, a fazer textos e também aprendi palavras diferentes.
Que papel você desempenha na Reciclo?
Sou agente educacional, secretária e também catadora de materiais recicláveis.
Vizinhança
Portanto vizinho é algo que ‘todos’ somos e temos. Vizinho é pra açúcar, jornal de domingo, ombro amigo, pai do amigo do seu filho, carro na frente da sua garagem, furadeira no domingo de manhã, criança chorando de madrugada, briga de casal, ‘aí ta sem água também?’, ‘aí ta sem luz também?’ e segue mais itens numa lista extensa e, muito provavelmente, infinita.
Que seja, vizinho torna a vida pouco monótona. Falar mal de vizinho faz bem a saúde e se faz bem pra saúde dele, pra sua e pra minha, por que deveríamos repreender?
Vizinhança unida é vizinhança antiga e vizinho novo é penetra, ninguém gosta dele de começo, ele tem que comprar o amor dos vizinhos falando bom dia’s sorridentes, alegres e bem gritados nos domingos. Ou quem sabe ter um filho fofo. Isso, se você quer se mudar pra um bairro novo adote ou faça um filho bem bonitinho e fofo. Daqueles que dizem bom dia no melhor estilo ‘om ía!’ e que cantem quando alguém pede pra ele cantar e que dêem tchau quando a pessoa der tchau. Não há vizinhança que resista a crianças fofas, fato.
Cada dia menos existe contato entre os vizinhos. As pessoas não saem mais pra rua com medo da violência e área de lazer de apartamento é coisa pras babás e pras crianças se confraternizarem. Os adultos se falam cada vez menos. O ‘boa noite’ no elevador basta e isso é triste. Vizinho é aquele semelhante que poderia tanto ser um amigo. Não basta ser educado com as pessoas, tem que ser humano, se ser vizinho elimina isso só porque você não conhece a pessoa de fato, então eu prefiro morar numa ilhinha do pacífico. Pena que meus vizinhos são bem simpáticos e sempre dispostos a saber da vida alheia e fazer o social.
História do Bairro
O momento era propício para se estabelecer em Brasília. Só que muitos não tinham a quantidade de dinheiro necessária pra comprar um apartamento nas cidades satélites, logo eles começaram a habitar os arredores vazios da cidade. Surge assim Núcleo Bandeirante, Planaltina, Sobradinho, Guará, Taguatinga e aí por diante.
Taguatinga cresce rápido como cidade e se desenvolve com uma certa organização. Ela cresceu de leste a oeste e depois para o sul, mais tarde desenvolvendo o que hoje é Ceilândia. Taguatinga teve base cultural forte. O Teatro, o cinema e até exposições eram freqüentes na cidade. Bares reuniam estudantes que viviam por ali. A cidade parecia ser promissora e prometia independência. O fato é que com o passar dos anos a cena cultural de Taguatinga diminuiu e hoje ela é fraca e pouco prestigiada. Os motivos variam, o fato é que a iminente independência hoje já pode ser vislumbrada novamente. O centro administrativo do Distrito Federal está em Taguatinga e quem sabe assim, os próprios moradores da cidade sintam que está na hora de deixar de lado os vínculos com o Plano Piloto e fazer de Taguatinga uma cidade metrópole.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
As mulheres fazem a cara da Reciclo
Marca forte da Cooperativa Reciclo não são as fibras de celulose que a coleta seletiva pode produzir, mas a fibra das mulheres que compõem a comunidade. De acordo com pesquisa do departamento de Serviço Social da Universidade Católica de Brasília, das 45 famílias cadastradas na comunidade, 37 têm a mulher como responsável pelo registro, enfim, como chefe de família. E como não podia deixar de ser, a presidente da cooperativa é uma dessas matriarcas.
Jaqueline Souza da Silva brada para quem quiser ouvir: "nossa luta é por trabalho e moradia". A presidente cuida de casa, do filho Adrian, distribui as atividades dos catadores, participa de fóruns e cursos e poucas vezes é vista ao lado de seu companheiro Robervaldo Alves da Conceição.
Cristiane Ribeiro da Silva é uma dessas mulheres batalhadoras. Ela explica como as condições precárias reduzem o lucro da cooperativa. "A gente ganha pouco porque não tem estrutura". Ela mostra que o material fica no chão e quando chove, não adianta só lona, muita coisa se perde. Cristiane conta também que já perderam doação de material por não ter carroça ou transporte para ir buscar.
Apesar de várias famílias ajudarem no trabalho, a quantidade de material arrecadada não dá para vender direto para empresas de reciclagem. Os "atravessadores" compram por um preço baixo e repassam para as grandes empresas. O valor é repartido com todas as pessoas que trabalharam, na proporção do que foi anotado pela presidente Jaqueline, que tem tudo registrado.
A jovem Carina Rosa, de 21 anos, trabalha em dois postos: catando material e na separação. Apesar de seu marido Cléber ser ativo na comunidade, ela também aparece como chefe de família. Mãe de Cauã e Cleiton, ela diz que faz parte da família "C", por conta da inicial do nome de todos, e conta que fugiu de casa para ficar com o marido.
A piauiense Francilene Araújo também aceitou o desafio de fazer parte da comunidade. "Quando a gente chegou aqui nesse cerrado, tudo desabou" diz ela com olhar triste. Mulata, magrinha, mas de braços fortes, veio para Brasília com vontade de melhorar suas condições e já trabalhou em fábrica, em casa de família como doméstica e depois como catadora.
Na época que conheceu seu companheiro Luciano, foram morar juntos em uma invasão atrás do Carrefour Sul. Francilene evita detalhes e dispara: "Lembrar do passado é sofrer duas vezes". Hoje, após discussões, e problemas com drogas, o rapaz não mora mais com ela na comunidade. Ela diz que foi Luciano quem fez o primeiro contato com Jaqueline, já quando moravam em uma invasão atrás do Café do Sítio, no final de Taguatinga Sul. Jaqueline o convidou para fazer parte da Reciclo, e Luciano veio trazendo a família.
Atualmente, Francilene se desdobra para cuidar sozinha dos dois filhos e ainda trabalhar como catadora. Como as crianças são muito pequenas, é difícil levá-las e é difícil deixá-las em casa sozinhas. A creche da comunidade seria uma ajuda, mas ela teme que Luciano se zangue com a situação e leve as crianças.
Apesar das dificuldades, todas essas mulheres têm uma característica em comum. Ninguém tem vergonha de dizer sobre seu trabalho e onde moram, e acreditam fortemente que as coisas vão melhorar. Geofrance, marido de Cristiane Ribeiro, no início não quis concordar com a ida para a comunidade, mas diante da determinação de sua companheira teve que ceder. A cooperativa é recente e tem se organizado partir da união das famílias, da ajuda de outras organizações, e da valentia dessas mulheres.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Cooperativa Reciclo na luta pela vida
“Brasil mostra a sua cara”.

Mateus ( 3 anos )



O calor é de arder, a água é rara e o cheiro é fedido. Mosquitos, cachorros e cavalos fazem parte do ambiente de moradia das 43 famílias que vivem reunidas na Cooperativa Reciclo, uma cooperativa de catadores do Distrito Federal que luta a cada dia pela sobrevivência.
Instalados atrás do supermercado Carrefour, em Taguatinga Sul, os cooperados não possuem água potável e nem luz elétrica. Seus barracos são feitos de madeira, lona e pedaços de sucatas encontrados nos lixos da cidade. Nessas condições a cooperada Sirgilene da Silva, 37 anos, e o esposo criam seus quatro filhos.
Ela conta entristecida sobre a dificuldade de buscar a água para o uso diário. São 30 minutos de caminhada até chegar à bica. Na volta o cansaço já tomou conta de suas pernas e o peso das garrafas dificulta ainda mais o percurso. Por isso, muitas vezes os cooperados passam o dia sem água. Ninguém sai ileso com a situação; adultos, jovens, crianças e até os recém nascidos sofrem as conseqüências de um dia na e sede e na seca. “A vida aqui não é fácil, nós lutamos a cada dia”, ressalta Sirgilene.
A luz elétrica dentro da Reciclo é ilícita. Os moradores fazem uma série de gambiarras para puxarem a energia pública, assim conseguem ligar as lâmpadas de luz e também alguns aparelhos elétricos como televisão, rádio e liquidificador. O problema é que além de ser errado usar energia pública, o risco de acontecer um acidente é muito grande. Essas gambiarras são feitas com fios velhos, desencapados.
A Cooperativa Reciclo se organizou com a ajuda da Universidade Católica de Brasília (UCB), da Caixa Econômica Federal e de outros parceiros. Hoje, tem a certeza segundo Gervasio da Silva, pai da presidente da cooperativa, Jaqueline, que os barracos não serão mais derrubados. O Sivi-Solo se comprometeu a enumerar os barracos para ter o controle do número de integrantes da cooperativa e assim iniciar o processo de construção das novas moradias. Enquanto isso, essas famílias vão resistindo a toda precariedade em que vivem.
Ana Vanessa/ Camila Peres/ Hélida Fernanda/ Camila
Reciclo
Manhã de sábado, sol quente, pouca umidade. Foi nesse clima incrementado pela lona preta do barracão que constatamos algumas regras de funcionamento da Cooperativa Reciclo, e conversamos com alguns dos membros participantes de um grupo que funciona dentro dessa comunidade, o grupo do artesanato.
Criada há alguns anos a Reciclo é formada por um grupo de pessoas determinadas com o apoio de entidades religiosas e filantrópicas, além de instituições de ensino. Hoje a comunidade conquistou até o financiamento do banco Caixa Econômica Federal. Com essa ajuda se organizaram e fizeram do hábito de coletar material reciclável nas ruas, um negócio lucrativo o suficiente para subsistência de seus componente. Um exemplo de autoestima, cidadania e perseverança.
Seus membros ainda vivem em casas de lona e madeirite em meio às montanhas de entulhos. Nada é como se sonha, mas a atitude, a confiança de seus componentes fornece forças para prosseguir o trabalho de coleta do material necessário para subsistência.
Artesanato
São quinze pessoas trabalhando, apenas dois homens, durante três dias da semana (terça, quarta e quinta-feira). Depois de lavada, a garrafa, em média, demora um dia e meio para secar. Naquela semana vinte e cinco puffs foram produzidos e não foram mais, porque o material tinha acabado.
Depois que as garrafas são encaixadas, a estrutura é acolchoada e coberta por tecidos. A comunidade ainda não tem uma máquina de costura, portanto esse trabalho de costura é feito por terceiros. O preço deste produto chega a custar R$ 45,00. Toda a renda arrecadada é dividida: 3% reservado para a compra de material, 5% fica com a Reciclo e o restante é dividido entre os artesãos.
“Agora, a gente quer aprender a usar o anel de latinha”, comenta uma das líderes do setor de artesanato, Nívea Souza.
O que se percebe ao visitar essa comunidade situada no Pistão Sul de Taguatinga atrás do Carrefour, é atitude empreendedora e bem sucedida. Optaram por criar seu espaço, ao invés de cruzar os braços e esperar pelo cumprimento de promessas feitas em eleições.
domingo, 18 de novembro de 2007
O amor aos outros filhos
A responsável pela administração das crianças é Tatiana, 17 anos e casada. Ela diz que é muito difícil para ela e as duas outras meninas que a auxiliam porque quando as mães deixam seus filhos na Tenda, os infantes começam a chorar de saudade de seus pais. Muitos ficam durante todo o horário de funcionamento do lugar, de oito horas da manhã ao meio-dia e
Tatiana afirma que a tarefa que as crianças mais gostam é quando colocam o rádio para tocar e elas ficam pulando, dançando e cantando. São aproximadamente 85 crianças na Comunidade e mais de 20 freqüentam a creche. Os outros mais velhos dedicam seu tempo à escola. Os infantes já se apegaram às garotas que os supervisionam e muitas vezes rejeitam seus pais quando estes chegam da jornada de trabalho. As três garotas não ganham para cuidar dos
Uma pequena parcela de mães prefere não deixar seus filhos na creche por motivos de cuidado pessoal. É o caso de Joselita Socorro que tem quatro filhos e nunca deixou nenhum na Tenda. “Eu sei cuidar dos meus filhos melhor”, diz Joselita. Ela acha que as meninas não cuidam das crianças como deveriam, que o contato com crianças doentes da comunidade pode passar males a seus filhos e acredita que sob seus cuidados a criação dos garotos é mais certa. Como a Tenda não é trancada, Joselita diz temer que algo aconteça. Como tem de trabalhar para sustentá-los, ela deixa os mais velhos cuidando dos mais novos e acredita que isso é o certo.
É admirável o que meninas tão novas fazem por crianças que sequer possuem laços sanguíneos. Quando se visita a Tenda, é de fácil percepção o carinho que elas têm por cada um que supervisionam. E o sentimento é recíproco, pois muitas crianças se apegaram às garotas como a seus pais.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Vizinhança
Durante o dia, no entanto, a cidade é tomada pela confusão que as incessantes construções trazem. Carreta pra lá, caminhão pra cá e pedestres andando de um lado para o outro. O trânsito é, não raramente, caótico. “Com ruas esburacadas e um altíssimo número de carros, muitas vezes é perigoso transitar pelas ruas. Há muitos acidentes”, diz Rayanna Andrade, 28 anos, moradora há cinco de Águas Claras.
Ruas estreitas, falta de sinalização em diversos cruzamentos talvez sejam os maiores pecados urbanísticos. Mas soma-se a isso a total ausência, com exceção do parque, de áreas verdes. Sem vias arborizadas, a cidade é torna-se uma paisagem árida, tomada pelo cinza do asfalto e o marrom das construções.
O barulho não pára. Marteladas, britadeiras, caminhões.
Águas Claras tem uma população fixa e uma sazonal. São poucos os momentos que ambas encontram-se na cidade. Enquanto os residentes rumam a outros locais para trabalhar, os sazonais (obreiros, empregadas domésticas, funcionários de lojas, etc.) chegam a Águas Claras para o mesmo fim. Ao fim do dia, o processo se inverte, e quem passa o dia fora vem deitar-se em Águas Claras. Quem de fato vive aqui, dorme em outra freguesia...
Águas Claras
Havia um problema, porém. Um imenso vazio entre o Park Way e Taguatinga. A consultoria contratada pelo governo distrital da época aconselhou uma utilização ativa daquele pedaço de terra, que casava com a crescente demanda por novas habitações. Daí surgiu, em 1984, Águas Claras.
A região, no início, foi quase toda construída por cooperativas habitacionais. Com este tipo de associação foi possível realizar o sonho da casa própria de pessoas com baixo poder aquisitivo. Entretanto, a simplicidade e incipiência estrutural das cooperativas mostraram entraves significativos demais para serem superados e o mercado cada vez mais exigente foi tomado pelas construtoras.
O que começou como uma cidade com imóveis acessíveis hoje mostra-se como um local cada vez mais elitizado. Não cessam as construções de luxo e com confortáveis áreas de lazer. Com isso, os imóveis valorizam-se em velocidades assustadoras. “De 2004 a 2007 os terrenos em Águas Claras valorizaram muito entorno de 59%“, afirma Fernando Tormim Borges, diretor comercial da construtora Allicerce. Quem adquiriu um apartamento, lote ou qualquer pedacinho de terra nos primórdios da cidade fez um ótimo negócio.
As facilidades apresentadas pelas construtoras servem como outro incentivo. “Comprar um imóvel em Águas Claras é, além de mais barato, mais suave para pagar”, afirma Mariele de Ávila Santos, moradora há quatro anos. Outro fator observado por Santos é a segurança que os condomínios fechados proporcionam aos moradores.
O crescimento avassalador traz, também, alguns inconvenientes, como a poeira e o trânsito tomado por caminhões, tratores e carretas. O progresso, com o perdão do chavão, traz suas conseqüências.
sábado, 10 de novembro de 2007
Nossa chegada à comunidade.
Tatiane (6 anos), foi quem nos recepcionou.
Era uma manhã de muito sol e calor,
e o pequeno Mateus (3 anos),tentava
amenizar os efeitos da seca.
Um dos meios de transporte usado
pelos catadores para fazer a coleta.
As condições precárias para
a preparação das refeições.
Essas são as “casas”!
A comunidade (Reciclo) vive de catar e separar o lixo.
Turma: MNA
Alunas: Ana Vanessa
Camila
Camilla Sanches
Hélida Fernanda
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Analfabetismo – uma triste realidade.
Conversando com uma participante da oficina texto feita pelos alunos de jornalismo regional e comunitário da UCB, foi lido um texto que dizia assim:
“Meu nome é Ivaneide tenho 20 anos, moro na comunidade reciclo, tenho dois filhos e moro eu e o meu marido.”
Como havia alguns errinhos de pontuação foi pedido que ela reescrevesse o texto corrigindo-o. Então ela disse que não tinha sido ela que escrevera o parágrafo o que gerou a entrevista abaixo:
Érika: Quem escreveu esse parágrafo?
Ivaneide: Foi minha colega, como não conseguiria, eu fui falando e ela escreveu para mim.
Érika: Você não sabe ler e escrever?
Ivaneide: Não sei.
Érika: Sabe escrever o seu nome?
Ivaneide: Também não!
Érika: Não sente falta?
Ivaneide: Eu já até comecei freqüentar a escola, mas é tudo muito difícil, tenho que trabalhar para poder ajudar na renda da Reciclo. Às vezes eu até me esforço para tentar entender o que está escrito nas faixas da rua. Mas não passa disso.
Érika: Seus pais não lhe colocaram na escola quando era criança?
Ivaneide: Não, na época eu não morava em Brasília, morava numa chácara em com minha mãe e lá não era preciso ler e nem escrever. Não fazia a menor diferença eu saber ou não ler e escrever.
Érika: Qual foi a vez em que você mais sentiu necessidade em saber ler e escrever?
Ivaneide: Quando eu vim para Brasília, nem documentos eu tinha, tive que tirar agora para poder me cadastrar nos programas que varias entidades nos oferecem. Mais esse ano irão implantar uma escolinha lá na nossa comunidade e eu vou aprender a ler.
Hoje se sabe que existem analfabetos no país, mas a sensação de conhecer um e extremamente estranha. Pois para quem sabe ler e escrever a escrita torna-se muito simples e fácil enquanto para outros é um enigma.
É importante que esse caso seja resolvido pelo governo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Conhecendo um pouco dos jovens da Reciclo.
Reciclo tem muita gente jovem e uma questão nos foi colocada, o que esses jovens fazem para se divertir, como eles namoram, se eles são excluídos da cultura, da escola, essas coisas que os adolescentes sentem falta a uma certa idade. Conversando com algumas garotas que tinham entre 15 e 18 anos, podemos perceber que elas não se importam com algumas coisas que elas não tem e que outras garotas com mais oportunidades tem, algumas sonham em viver melhor, sair “daquele lugar”, estudar, trabalhar, morar em uma casa confortável, outras não tem muitos objetivos para o futuro, até porque a maioria já tem uma família formada, muitas delas já tem 3, 4, filhos, ou seja, já são chefes de família mesmo. Para um jovem rapaz, que tem lá por seus 17 anos, a vida parece não ter mais graça, ele nos conta que veio da Bahia com sua irmã, ambos em busca de melhorar de vida, ele não se mostra muito empolgado com a vinda para Brasília, ele, que só estudou até a quarta série, não tem vontade de voltar a estudar, não gosta de sair, não pensa em sair da comunidade para trabalhar em outra coisa.
É assim que os jovens da Reciclo vivem, alguns com esperança de conquistar seus ideais, outros um pouco desiludidos com as presepadas que a vida prega para todos.
Por: Carolina Soares Malheiros.
sábado, 3 de novembro de 2007
Minha Vizinhança
Um bairro com aspectos bem singelos ganhou um ar romântico com toda a arborização existente nele. Essa arborização impulsiona os moradores a fazerem caminhas matinais ou diurnas a beira da pista que segue por todo o bairro. São através dessas caminhadas que a comunicação entres os vizinhos ocorre, pois com a correria do dia-a-dia e também o afastamento entre as casas acaba não tendo tempo para visitas. É muito raro um vizinho estar muito próximo ao outro. Isso só ocorre em lotes que são divididos formando pequenos condomínios.
Apesar da boa vizinhança e da beleza natural do lugar, o bairro acabou gerando muitos roubos. O distanciamento e a grandeza das construções são os maiores fatores para os assaltos. Porém isso ainda não impede de ser um lugar muito agradável para moradia.
Por Rayssa Campos
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Vizinhança: Manual Prático de Sobrevivência
Em minha rua, particularmente, grande parte dos moradores reside no local há mais de uma década [como minha família, que reside há quase duas]. Certas peculiaridades que vêm com o tempo são inevitáveis, tais como o “relatório diário” sobre vidas alheias, sobre a vida dos próprios familiares - como a filha namoradeira que ficou até tarde no portão -, ou o anúncio de que a cunhada do primo da namorada do irmão do vizinho da frente vai passar uma temporada por ali.
Certas coisas acima citadas não são saudáveis para o convívio comum, mas por outro lado, essa convivência acaba tornando a vizinhança mais unida. Não são poucas as vezes em que moças são socorridas quando o carro não funcionam pela manhã, que um leva o filho do morador ao lado para a escolinha de futebol junto aos seus ou que um vizinho leva o outro ao hospital durante a madrugada. Hábitos que acabam transformando todos numa grande família, até mesmo a troca de receitas vistas no programa da Ana Maria Braga. Enfim, minha vizinhança é o verdadeiro estereótipo da “boa vizinhança” apesar de todos os contras. Não creio que seja errado dizer: Vizinhos - ruim com eles, pior sem eles!
Histórico do Setor Sul
A cidade foi inaugurada em 12 de outubro de 1960, com 5 setores/bairros: Sul, Norte, Leste, Oeste e Central. Cada um desses bairros foi dividido em quadras de formato hexagonal, dando a idéia de uma grande colméia. O bairro tem divisas com outros três bairros [Leste, Oeste e Central] e também dá acesso à saída do Distrito Federal em menos de 5min na direção de um automóvel.
Hoje, a cidade atende de várias formas pessoas de cidades do Goiás, seja com atendimento hospitalar, escolas ou empregos.



