Marca forte da Cooperativa Reciclo não são as fibras de celulose que a coleta seletiva pode produzir, mas a fibra das mulheres que compõem a comunidade. De acordo com pesquisa do departamento de Serviço Social da Universidade Católica de Brasília, das 45 famílias cadastradas na comunidade, 37 têm a mulher como responsável pelo registro, enfim, como chefe de família. E como não podia deixar de ser, a presidente da cooperativa é uma dessas matriarcas.
Jaqueline Souza da Silva brada para quem quiser ouvir: "nossa luta é por trabalho e moradia". A presidente cuida de casa, do filho Adrian, distribui as atividades dos catadores, participa de fóruns e cursos e poucas vezes é vista ao lado de seu companheiro Robervaldo Alves da Conceição.
A cooperativa é construída pela organização de ex-moradores de invasões, que se viram unidos pela mesma atividade: a coleta de lixo para vender e sobreviver. As mulheres são responsáveis por todo tipo de trabalho. Participam tanto da coleta do material nas ruas, como da separação quando ele chega na comunidade. Para ser vendido, o material precisa ser separado por tipo e depois por cor. Assim, plásticos transparente, azul ou preto, papelão, papel de jornal ou papéis coloridos são separados em um espaço protegido por uma lona simples em uma espécie de galpão.
Cristiane Ribeiro da Silva é uma dessas mulheres batalhadoras. Ela explica como as condições precárias reduzem o lucro da cooperativa. "A gente ganha pouco porque não tem estrutura". Ela mostra que o material fica no chão e quando chove, não adianta só lona, muita coisa se perde. Cristiane conta também que já perderam doação de material por não ter carroça ou transporte para ir buscar.
Apesar de várias famílias ajudarem no trabalho, a quantidade de material arrecadada não dá para vender direto para empresas de reciclagem. Os "atravessadores" compram por um preço baixo e repassam para as grandes empresas. O valor é repartido com todas as pessoas que trabalharam, na proporção do que foi anotado pela presidente Jaqueline, que tem tudo registrado.
A jovem Carina Rosa, de 21 anos, trabalha em dois postos: catando material e na separação. Apesar de seu marido Cléber ser ativo na comunidade, ela também aparece como chefe de família. Mãe de Cauã e Cleiton, ela diz que faz parte da família "C", por conta da inicial do nome de todos, e conta que fugiu de casa para ficar com o marido.
A piauiense Francilene Araújo também aceitou o desafio de fazer parte da comunidade. "Quando a gente chegou aqui nesse cerrado, tudo desabou" diz ela com olhar triste. Mulata, magrinha, mas de braços fortes, veio para Brasília com vontade de melhorar suas condições e já trabalhou em fábrica, em casa de família como doméstica e depois como catadora.
Na época que conheceu seu companheiro Luciano, foram morar juntos em uma invasão atrás do Carrefour Sul. Francilene evita detalhes e dispara: "Lembrar do passado é sofrer duas vezes". Hoje, após discussões, e problemas com drogas, o rapaz não mora mais com ela na comunidade. Ela diz que foi Luciano quem fez o primeiro contato com Jaqueline, já quando moravam em uma invasão atrás do Café do Sítio, no final de Taguatinga Sul. Jaqueline o convidou para fazer parte da Reciclo, e Luciano veio trazendo a família.
Atualmente, Francilene se desdobra para cuidar sozinha dos dois filhos e ainda trabalhar como catadora. Como as crianças são muito pequenas, é difícil levá-las e é difícil deixá-las em casa sozinhas. A creche da comunidade seria uma ajuda, mas ela teme que Luciano se zangue com a situação e leve as crianças.
Apesar das dificuldades, todas essas mulheres têm uma característica em comum. Ninguém tem vergonha de dizer sobre seu trabalho e onde moram, e acreditam fortemente que as coisas vão melhorar. Geofrance, marido de Cristiane Ribeiro, no início não quis concordar com a ida para a comunidade, mas diante da determinação de sua companheira teve que ceder. A cooperativa é recente e tem se organizado partir da união das famílias, da ajuda de outras organizações, e da valentia dessas mulheres.
Cristiane Ribeiro da Silva é uma dessas mulheres batalhadoras. Ela explica como as condições precárias reduzem o lucro da cooperativa. "A gente ganha pouco porque não tem estrutura". Ela mostra que o material fica no chão e quando chove, não adianta só lona, muita coisa se perde. Cristiane conta também que já perderam doação de material por não ter carroça ou transporte para ir buscar.
Apesar de várias famílias ajudarem no trabalho, a quantidade de material arrecadada não dá para vender direto para empresas de reciclagem. Os "atravessadores" compram por um preço baixo e repassam para as grandes empresas. O valor é repartido com todas as pessoas que trabalharam, na proporção do que foi anotado pela presidente Jaqueline, que tem tudo registrado.
A jovem Carina Rosa, de 21 anos, trabalha em dois postos: catando material e na separação. Apesar de seu marido Cléber ser ativo na comunidade, ela também aparece como chefe de família. Mãe de Cauã e Cleiton, ela diz que faz parte da família "C", por conta da inicial do nome de todos, e conta que fugiu de casa para ficar com o marido.
A piauiense Francilene Araújo também aceitou o desafio de fazer parte da comunidade. "Quando a gente chegou aqui nesse cerrado, tudo desabou" diz ela com olhar triste. Mulata, magrinha, mas de braços fortes, veio para Brasília com vontade de melhorar suas condições e já trabalhou em fábrica, em casa de família como doméstica e depois como catadora.
Na época que conheceu seu companheiro Luciano, foram morar juntos em uma invasão atrás do Carrefour Sul. Francilene evita detalhes e dispara: "Lembrar do passado é sofrer duas vezes". Hoje, após discussões, e problemas com drogas, o rapaz não mora mais com ela na comunidade. Ela diz que foi Luciano quem fez o primeiro contato com Jaqueline, já quando moravam em uma invasão atrás do Café do Sítio, no final de Taguatinga Sul. Jaqueline o convidou para fazer parte da Reciclo, e Luciano veio trazendo a família.
Atualmente, Francilene se desdobra para cuidar sozinha dos dois filhos e ainda trabalhar como catadora. Como as crianças são muito pequenas, é difícil levá-las e é difícil deixá-las em casa sozinhas. A creche da comunidade seria uma ajuda, mas ela teme que Luciano se zangue com a situação e leve as crianças.
Apesar das dificuldades, todas essas mulheres têm uma característica em comum. Ninguém tem vergonha de dizer sobre seu trabalho e onde moram, e acreditam fortemente que as coisas vão melhorar. Geofrance, marido de Cristiane Ribeiro, no início não quis concordar com a ida para a comunidade, mas diante da determinação de sua companheira teve que ceder. A cooperativa é recente e tem se organizado partir da união das famílias, da ajuda de outras organizações, e da valentia dessas mulheres.
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