Por Karina Ferraz
As crianças da Reciclo riem a toa nessa época do ano. O motivo nada mais é do que a chegada do natal. Enquanto as crianças de classe média irão receber presentes caros e novinhos a meninada da reciclo receberá doações. Os brinquedos de novinhos não tem nada, mas isso é o que menos importa para eles. O que importa mesmo é o significado do presente.
O ro-rô-rô-rô do Papai Noel é o que os pequeninos da comunidade mais gostam no bom velhinho. As risadas são gostosas quando alguém imita o Papai Noel. A fantasia é muito presente entre eles, “Papai Noel existe sim”, diz Gabi*, quando um dos jovens que reside na Reciclo, passa e diz que Papai Noel não existe.
É admirável ver crianças tão carentes se alegrarem ao pensar no símbolo do natal com tanto amor. O fato de elas morarem em uma comunidade de catadores não as torna crianças amargas e sofredoras, muito pelo contrário, a todo o momento estão rindo, brincando, correndo, tomando banho em bicas, literalmente fazendo artes. Sabem que a mesa no dia do natal não será farta como será da população, sabem que os brinquedos não terão cheirinho de novo, mas isso tudo não importa para eles. O eles mais querem é se divertir com o pouco que tem e dão muito valor, dizem as mães.
Se os jovens do nosso país parassem para pensar um pouco como é a vida de quem não tem uma vida fácil, muita coisa iria mudar. Hoje quando se abre um jornal, uma revista ou assiste a um noticiário sempre encontra notícias sobre a irresponsabilidade dos jovens e eventuais acidentes devido a isso. Os jovens em sua maioria são de classe média a alta. Por não terem noção do que é uma vida sofrida fazem da deles o que querem a seu bel prazer. Um dia com as crianças da Reciclo eles entenderiam e dariam mais valor em tudo o que tem. Mas lembrando as crianças da comunidade não choram a todo o momento por não ter o que os outros têm, elas fazem melhor que isso, sorri muito e estimula qualquer adulto a não desistir de viver.
Foto:Laura Maria
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