“Brasil mostra a sua cara”.

Mateus ( 3 anos )



O calor é de arder, a água é rara e o cheiro é fedido. Mosquitos, cachorros e cavalos fazem parte do ambiente de moradia das 43 famílias que vivem reunidas na Cooperativa Reciclo, uma cooperativa de catadores do Distrito Federal que luta a cada dia pela sobrevivência.
Instalados atrás do supermercado Carrefour, em Taguatinga Sul, os cooperados não possuem água potável e nem luz elétrica. Seus barracos são feitos de madeira, lona e pedaços de sucatas encontrados nos lixos da cidade. Nessas condições a cooperada Sirgilene da Silva, 37 anos, e o esposo criam seus quatro filhos.
Ela conta entristecida sobre a dificuldade de buscar a água para o uso diário. São 30 minutos de caminhada até chegar à bica. Na volta o cansaço já tomou conta de suas pernas e o peso das garrafas dificulta ainda mais o percurso. Por isso, muitas vezes os cooperados passam o dia sem água. Ninguém sai ileso com a situação; adultos, jovens, crianças e até os recém nascidos sofrem as conseqüências de um dia na e sede e na seca. “A vida aqui não é fácil, nós lutamos a cada dia”, ressalta Sirgilene.
A luz elétrica dentro da Reciclo é ilícita. Os moradores fazem uma série de gambiarras para puxarem a energia pública, assim conseguem ligar as lâmpadas de luz e também alguns aparelhos elétricos como televisão, rádio e liquidificador. O problema é que além de ser errado usar energia pública, o risco de acontecer um acidente é muito grande. Essas gambiarras são feitas com fios velhos, desencapados.
A Cooperativa Reciclo se organizou com a ajuda da Universidade Católica de Brasília (UCB), da Caixa Econômica Federal e de outros parceiros. Hoje, tem a certeza segundo Gervasio da Silva, pai da presidente da cooperativa, Jaqueline, que os barracos não serão mais derrubados. O Sivi-Solo se comprometeu a enumerar os barracos para ter o controle do número de integrantes da cooperativa e assim iniciar o processo de construção das novas moradias. Enquanto isso, essas famílias vão resistindo a toda precariedade em que vivem.
Ana Vanessa/ Camila Peres/ Hélida Fernanda/ Camila



Um comentário:
Vcs precisavam voltar ao local e ver que esta realidade não mudou. O que mudou foi apenas algumas pessoas que estavam cadastradas na cooperativa reciclo. Mesmo assim algumas pessoas permanesceram e outras vieram de longe com a ilusão de ganho de uma casa. Mais na certeza de muito sofrimento... Lamentavel a situação!
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