segunda-feira, 27 de agosto de 2007

De centro de erradicação de favelas à cidade grande

Talvez ninguém tenha imaginado que a construção de uma nova cidade, em pleno coração do país, pudesse atrair tantas pessoas. E, contrariando expectativas, atraiu. De acordo com dados da Administração Regional da Ceilândia, já em 1969 Brasília contava com 79.128 favelados, a grande maioria formada por pessoas que vieram trabalhar na construção da nova capital e resolveram ficar. Assim ficaram decididas, na época pelo governador Hélio Prates da Silveira (daí a origem do nome da principal avenida da cidade), dois grandes passos: a erradicação das aglomerações e a formação de uma nova cidade na região, a Ceilândia. A origem do nome, então, torna-se óbvia: CEI – Centro de Erradicação de Invasores; landia, palavra de origem inglesa que, ao pé da letra, significa cidade. Surge, então, a cidade-centro de erradicação de invasores, hoje com quase 350 mil habitantes, a maior do Distrito Federal.

Aos poucos, Ceilândia começou a andar com suas próprias pernas. Hospitais, escolas, pavimentação urbana e saneamento básico foram surgindo pouco a pouco. Em 27 de março de 1971, o governador Hélio Prates da Silveira lançou a pedra fundamental da Ceilândia, onde hoje é a Caixa D’água, símbolo da cidade. Naquele mesmo sábado, começavam as obras de assentamento das famílias. Daí para a inauguração da primeira linha de ônibus que ligava Ceilândia ao Plano Piloto não demorou muito. O primeiro ceilandense nascia e, com ele, a esperança de uma vida digna para todos que chegavam. Em 1972, um ano após o início do desafio, entra em cena Maria de Lourdes Abadia, que mais tarde governou o Distrito Federal por 4 anos, como vice de Joaquim Roriz. Hoje, Abadia leva os créditos para o que Ceilândia se tornou. Não é por menos. Após trabalhar no Centro de Desenvolvimento Social (CDS) da cidade, Abadia tornou-se administradora regional, cargo que manteve por mais de 10 anos. Atualmente, Abadia é admirada por grande parte dos moradores.

A nova cara da cidade já está formada. Os pais de família, quando não aposentados, são comerciantes nas diversas feiras populares (elas são muitas). As mães são donas de casa dedicadas. O jovem, maioria de baixa renda, luta pelo primeiro emprego e pelo ingresso na Universidade. A minoria burguesa da cidade desfruta de cultura e lazer em Taguatinga e, principalmente, no Plano Piloto. E, como em toda cidade grande, Ceilândia está violenta e não parece mesmo aquela criança promissora de alguns vários anos atrás...

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