Às 6 horas as pessoas começam a ocupar o calçadão, (que não é no Rio e não é de frente pro mar, portanto penso que deveria ter outro nome, mas as pessoas que o utilizam não concordam) andando, passeando com o cachorro (eventualmente conversando com ele), correndo, andando de bicicleta e em algum ponto do ‘calçadão’ é possível ver alguém se aquecendo, ali, só, com suas roupas de ginástica. O calçadão é o maior momento de interação no meu bairro, claro que os vizinhos antigos se cumprimentam sempre, mas a conversa longínqua e duradoura é uma visão rara e soa sempre um pouco forçada por uma das partes. É só no calçadão que as pessoas realmente se reúnem, se conhecem de ‘vista’.
Perguntei a uma vizinha que caminha todo dia se ela conversava com alguém no calçadão e ela me disse que ela agora tem ‘amigos de calçadão’, pessoas que ela conheceu no próprio calçadão. Agora eles se cumprimentam todo dia, alguns dias apostam umas conversas rápidas, sorridentes, espontâneas, noutros elas começam a marcar hora pra se encontrar em ponto tal e caminharem juntas. No calçadão não há tribos. Idosos, adolescentes, mulheres grávidas, adultos, ninguém caminha com seu grupo geralmente. Existem casais, duplas, trios de amigos, mas um amigo de calçadão pode ser qualquer um e normalmente não tem nada a ver com você. É fácil de ver amigos de calçadões quando se passa lá, é impossível não notar duplas não usuais, que conversam entre si alegremente enquanto fazem sua atividade física.
Talvez a maior divisão no calçadão seja a de horário. Quem anda de manhã muito cedo não se esbarra e provavelmente nunca se esbarrará com quem anda no final da tarde ou quem anda às 10. Mas esse tipo de discriminação pode ser resolvido nos domingos, nos sábados, nos feriados, quando as pessoas trocam de horários ou para dormir mais, ou para cuidar das outras coisas da vida num horário mais propício.
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