Meu bairro é minha casa, que me abriga desde os tempos de criança. Nessa casa há crianças, jovens, moços e senhores: os que estão crescendo, os estudiosos, os que batalham no seu dia-a-dia e os que já batalharam ao longo de toda uma vida. Aqui é um dos poucos lugares onde ainda se vêem crianças andando em suas bicicletas enquanto seus pais conversam na calçada, crianças que se reúnem no final da tarde com uma bola para brincar de “corte” ou “queimada” ou onde casais enamorados se encontram no portão de casa ao cair da noite.
Mas não só de bons momentos vive o meu bairro: há também o lado da sujeira das paradas de ônibus, do frio que assola os que não tem um teto para se proteger e ainda a violência que assusta em algumas zonas deste bairro. Mesmo que seja mais fácil apontar a administração local como o responsável por isso, visivelmente a falta de consciência da população é causa de constantes desarmonias. Como exemplo, a pichação assinada por “Jéssika Gostoza” em um ode ao narcisismo – e ao semi-analfabetismo, eu diria – numa parada de ônibus próximo ao Centro de Ensino Fundamental 08, revitalizada horas antes do momento da saída dos alunos do turno vespertino.
Em meu bairro, cativam-se os vizinhos. Grande parte da população é residente de vários anos, o que torna o bairro um lugar muito familiar. O comércio é bem distribuído e as pessoas têm farmácias a poucos metros de casa, filas em padarias que parecem não andar quando o padeiro pergunta por toda a família de dona Josefa, que esteve adoentada e não freqüentou o estabelecimento nas últimas duas semanas. Este é o meu bairro.
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