quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Um pedaço do Nordeste no Distrito Federal

A forte influência nordestina na Ceilândia pode ser percebida em cada esquina da cidade. Aos finais de semanas, não é raro ver famílias de grandes membros – pra lá de 5 - sentadas nas feiras populares, saboreando uma tapioca, um vatapá ou um caldo de mocotó. As famílias também vão às compras. Nas feiras, há de tudo para vender: roupas, acessórios, eletrônicos... o que não falta é cliente. Durante a semana, a classe trabalhadora também se diversifica. Há camelôs espalhados por todos os lados: em frente aos bancos, praças públicas e até nos comércios. É um retrato brasileiro do trabalho informal. Na falta de carteira assinada, o ceilandense se vira como pode. Paradas de ônibus também estão sempre lotadas na dura luta diária de quem precisa de transporte coletivo até o Plano Piloto.

A população da cidade pode comemorar. A cultura não está mais tão distante da realidade dos moradores que não têm recursos para atividades. Desde 2005, por exemplo, o carnaval de Brasília deixou de ser apenas o galinho no Eixo sul e chegou até a Ceilândia. No setor P-sul da cidade, o Governo construiu o Ceilambódromo, que recebe os desfiles das escolas de samba do Distrito Federal. Além do carnaval, existe na cidade a famosa Casa do Cantador – ainda exemplo da influência nordestina – que promove, anualmente, o Encontro Nacional dos Repentistas. Há vários outros bons exemplos, como o da última festa junina, que teve a presença de algumas celebridades como Elba Ramalho e Frank Aguiar, a praça do cidadão com demonstrações de cultura popular... O povo gosta. O povo aplaude.

Mas Ceilândia não vive só de bons momentos. Muito pelo contrário. A cidade está entre as mais perigosas do Distrito Federal. A violência cresce em números absurdos, uma vez que a educação e princípios básicos de uma sociedade justa parecem mais distante da realidade dos jovens da periferia. Sem perspectivas, eles encontram no crime a fuga perfeita da injustiça social. Ceilândia é conhecida nacionalmente pelo movimentado tráfico de drogas. A situação parece ter tornado-se tão normal que em cada esquina dos bairros residenciais pode ser visto aglomerados de jovens, até crianças, madrugada a fora, vendendo drogas para quem quer que seja. E dá lucro. A cidade virou referência na venda de entorpecentes baratos e de boa qualidade.

Observando pontos marcantes da vida cotidiana da Ceilândia, observam-se qualidades, problemas e até soluções inteligentes, ainda que emergenciais. Ceilândia é uma cidade nova, com uma população jovem que carece de atenção e cuidado. E eu observei, andando pelo meu bairro essa semana, que com o tempo, se essas observações emergenciais tornarem-se políticas sociais sérias, poderemos ter um bairro com a mesma cara feliz que tem hoje, unindo qualidade de vida e oferecendo opções de uma vida social justa para toda a população.

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