Vicente Pires tem o mesmo nome do córrego que corta esse bairro, e de alguma forma está ligado à história desse córrego. A área rural existe desde a época do nascimento de Brasília. Já nessa época, o córrego Vicente Pires contribuiu para o abastecimento da Cidade Livre – um dos primeiros focos populacionais da construção da capital.
Hoje, Vicente Pires não é mais uma área rural. Apesar de abrigar algumas chácaras que têm produção de grãos, vegetais, frutas, legumes, dentre outras coisas, a função social dessa região deixou – há muito – de ser produção rural e hoje é de moradia urbana. A ocupação desordenada de Vicente Pires e o loteamento irregular da cidade trouxe vários problemas ambientais, inclusive a poluição e assoreamento do córrego que dá nome à cidade.
E a vida de quem mora em Vicente Pires gira em torno dessa questão. Os moradores sofrem com a falta de infra-estrutura, trechos sem asfalto, vias sem escoamento de águas pluviais, que causam quase um alagamento em época de chuva. Reclamam da falta de escolas, da falta de ônibus, do excesso de poeira e lixo, do abandono por parte do governo. E reclamam a regularização.
Mas, o processo de regularização não parece perto de chegar. A questão é que a área não devia ter sido usada para moradia sem um estudo. O resultado é que hoje há famílias residindo no local há mais de 10 anos e que não querem sair das áreas chamadas de preservação permanente (APP).
O maior impasse, porém, está em se definir de quem é a competência de resolver essa questão: se do Governo do Distrito Federal (GDF), ou do Governo Federal. Os moradores da região começaram as negociações para a regularização com o Governo Federal. Foi assinado um convênio de cooperação técnica entre a Associação Comunitária de Vicente Pires, o Ministério do Planejamento e Gestão (MOG) e o IBAMA.
Atualmente, o GDF está lutando para controlar os licenciamentos na área de preservação ambiental (APA) do Planalto Central. Há inclusive, um desconforto entre o atual Governador do DF, Arruda, e o Ibama. Se o GDF ganhar o controle dessas áreas, o acordo inicial feito pelos moradores deixará de ter validade e terá de dar lugar a um novo documento a ser rediscutido e reeditado. Isso implicará em mais demora. Por enquanto, o Ibama e o Governo Federal também estão parados, aguardando essa definição e a cidade tem cara, mas não tem status oficial de cidade.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
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