quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Terra de todos

Como moradora de Taguatinga e freqüentadora assídua do Plano Piloto, fica impossível falar de um sem ligar ao outro. Vivendo em Taguatinga desde o início da vida, me habituei aos costumes simplórios da cidade satélite. O primeiro deles é a localização dos principais serviços. Andar a pé se torna um prazer, quando se tem tempo, já que a vida urbana se divide em as mais variadas classes sociais, desde o mendigo até a socialite emergente.
E durante a semana observar estes variados tipos tornou-se uma confirmação de tudo aquilo que eu já imaginava. Os idosos em suas habituais tarefas de comprar a quantidade mínima de carne para seu almoço, estudantes voltando debaixo do sol escaldante de meio-dia para suas casas, self-services lotados pelos funcionários do comércio local, metrô cheio por aqueles que se dirigem aos serviços em outras cidades satélites. O espírito de Taguatinga ainda é o de cidade pequena, com meninos brincando de ‘’pega-ladrão’’ e ‘’pique-pega’’ despreocupadamente em suas ruas.
Há uma nítida diferença entre quem mora no Plano Piloto e quem trabalha lá. Oscar Niemeyer produziu a cidade com idéia na arquitetura européia. E isso gerou um distanciamento entre os moradores da cidade, com uma projeção espacial peculiar. Entretanto, a velha guarda brasiliense continua com sua vida de interior, indo às farmácias e comprando seus pães às três da tarde.
Mesmo com as peculiaridades, andando por qualquer cidade do Planalto Central, você vai observar a multiculturalidade, as diferenças que fazem da terra de Renato Russo um dos melhores lugares para se viver. Estranho para quem chega, apaixonante para quem vive.

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