terça-feira, 27 de novembro de 2007

Esse é meu Bairro

Setor O, significa Setor Oeste, é um bairro de Ceilândia no Distrito Federal, que compreende as quadras QNOs 01 a 15.
Foi o berço da dupla sertaneja Rick e Renner e foi projetado para ser um bairro de Taguatinga, o "setor oeste", mas foi inserido na Ceilândia. É servido por diversos serviços como casa lotérica, agência bancária de conveniência, supermercados, farmácias, floriculturas, setor de oficinas e industria, além do extinto setor de mansões. Localizado às margens da BR070 que liga Brasília a Águas Lindas (GO), é um lugar de fácil acesso. Ao entardecer pode-se ver o sol se por sobre o lago formado pela barragem do descoberto, e apenas 2km dali, pode-se desfrutar de várias nascentes e córregos protegidos pela CAESB. Dispõe de oito estabelecimentos de ensino público desde a Educação Infantil ao Ensino Médio, tendo neste segmento uma escola-referência para a comunidade, o Centro de Ensino Médio 9, conhecido popularmente como "Duque", que conta com a biblioteca Maria Marly da Cunha Gomes, em homenagem a importante professora e diretora da instituição.
E essa é a historia de meu bairro.

A magia do natal


Por Karina Ferraz

As crianças da Reciclo riem a toa nessa época do ano. O motivo nada mais é do que a chegada do natal. Enquanto as crianças de classe média irão receber presentes caros e novinhos a meninada da reciclo receberá doações. Os brinquedos de novinhos não tem nada, mas isso é o que menos importa para eles. O que importa mesmo é o significado do presente.

O ro-rô-rô-rô do Papai Noel é o que os pequeninos da comunidade mais gostam no bom velhinho. As risadas são gostosas quando alguém imita o Papai Noel. A fantasia é muito presente entre eles, “Papai Noel existe sim”, diz Gabi*, quando um dos jovens que reside na Reciclo, passa e diz que Papai Noel não existe.

É admirável ver crianças tão carentes se alegrarem ao pensar no símbolo do natal com tanto amor. O fato de elas morarem em uma comunidade de catadores não as torna crianças amargas e sofredoras, muito pelo contrário, a todo o momento estão rindo, brincando, correndo, tomando banho em bicas, literalmente fazendo artes. Sabem que a mesa no dia do natal não será farta como será da população, sabem que os brinquedos não terão cheirinho de novo, mas isso tudo não importa para eles. O eles mais querem é se divertir com o pouco que tem e dão muito valor, dizem as mães.

Se os jovens do nosso país parassem para pensar um pouco como é a vida de quem não tem uma vida fácil, muita coisa iria mudar. Hoje quando se abre um jornal, uma revista ou assiste a um noticiário sempre encontra notícias sobre a irresponsabilidade dos jovens e eventuais acidentes devido a isso. Os jovens em sua maioria são de classe média a alta. Por não terem noção do que é uma vida sofrida fazem da deles o que querem a seu bel prazer. Um dia com as crianças da Reciclo eles entenderiam e dariam mais valor em tudo o que tem. Mas lembrando as crianças da comunidade não choram a todo o momento por não ter o que os outros têm, elas fazem melhor que isso, sorri muito e estimula qualquer adulto a não desistir de viver.

Foto:Laura Maria

domingo, 25 de novembro de 2007

Reciclo - Visando o futuro!

Por Rayssa Maryanne

Um dos maiores problemas que hoje atingem a natureza e o homem é o excesso de lixo produzido por nós e jogado no meio ambiente. O lixo orgânico não causa dano nenhum à natureza, porém o material que chamamos lixo seco ou inorgânico, esse leva meses ou anos para desaparecer. Pensando nisso o governo hoje apóia muitas comunidades de reciclagem de lixo. Essas comunidades fazem a coleta do lixo reciclável, levam para um local onde é separado esse material e lá fazem transformação de lixo para materiais utilizáveis.
No Distrito Federal existem já algumas comunidades que fazem esse trabalho. Umas delas é a Comunidade RECICLO, localizada atualmente no Pistão Sul, atrás do Carrefour. Hoje moram nessa comunidade 42 famílias e juntas tem 85 crianças que são sustentadas pelo trabalho que os pais fazem nas ruas.
Jaqueline Souza de 20 anos, mãe de um menino de 2 aninhos é hoje a atual presidente da cooperativa. Segundo Jaqueline eles moram neste local há 10 anos e há 5 anos formaram a comunidade RECICLO que com a garra de cada trabalhador e o apoio da Caixa Econômica e da Universidade Católica de Brasília, hoje é reconhecida pelo GDF – Governo do Distrito Federal e ganharam o direito de casa própria e dignidade em seu trabalho.
O lixo que é levado para lá é reaproveitado para fabricação de puffs feitos com garrafas pet, diversos enfeites para casa, os papeis são levados para empresas que o reaproveita. Depois da fabricação desses matérias eles são vendidos para empresas grandes e nas ruas.
A RECICLO ainda é uma cooperativa que está crescendo e conquistando seu espaço, mas a visão de melhora do meio ambiente que eles transmitem é muito grande. Apesar do nível de escolaridade ainda ser baixo, essa comunidade tem valores muitíssimo ricos a passar. O trabalho que é feito por cada um deles hoje aumenta mais um dia na vida do planeta que futuramente talvez não saiba como lhe dar com o desastre ambiental que nos próprios estamos construindo e causando.

sábado, 24 de novembro de 2007

LIXO! Desperdício? Não... Utilidade e Criação.

por Rebeca Campelo
Para muitas pessoas, lixo é algo totalmente descartável. Sem utilidade. Um monte de “restos” sem importância alguma. Se conscientizar a respeito da riqueza que o lixo pode possuir pode não ser uma tarefa muito fácil. Mas devemos pensar a respeito. Quantas pessoas dependem daquela garrafa de pet que a gente despreza? Em quantos objetos lindos e curiosos aqueles “restos” podem se transformar?
A comunidade de catadores da Reciclo nos revela a imensidão de arte que as lixeiras guardam. A reciclagem proporcionou melhores condições de vida e trabalho para aqueles que vivem da coleta. Em cada rosto e em cada sorriso, transborda a esperança de dias melhores. A alegria que cada um tem em divulgar seu trabalho, suas conquistas e projetos, nos mostra o quanto é importante o ato de reciclar, de criar e recriar. De transformar.
18 de agosto de 2007. Legalização do trabalho da Reciclo. De lá pra cá os catadores vêm conquistando o seu espaço a cada dia. Resultado disso é o Condomínio Villa Clara, em Águas Claras-DF que é o primeiro ponto exclusivo de coleta dessa comunidade. “É interessante porque vai tocar na conscientização até dos próprios moradores. O ato de separar o lixo orgânico do inorgânico já vem sendo divulgado há algum tempo. Mas acho que as pessoas ainda não dão muita importância para essa divisão. É mais questão de costume e isso tem que ser trabalhado diariamente”, diz o morador de Águas Claras José Ferreira, 62 anos.
Com a oportunidade de se ter um ponto de coleta exclusiva, os membros pretendem conquistar outros espaços. E assim, disseminar seus trabalhos.
Moradores da Reciclo fazem criações de verdadeiros artesãos com o material encontrado nas ruas. Bonecas, bolsas, puffs e outras coisas. E é com a reciclagem que essas pessoas conquistam o sustento de cada dia. É a comunidade da luta, do suor, da garra... Da Vitória.


ENTREVISTA

Mulher, guerreira. Mônica dos Santos da Silva, de 21 anos, é uma das moradoras da Comunidade Reciclo. Tem nela todos os sonhos do mundo. Luta em defesa de seu espaço, de sua gente. Em sua comunidade é catadora de materiais recicláveis, agente educacional e secretária.

Como você passou a fazer parte da Reciclo?
Eu já morava na comunidade. A Reciclo ainda não existia. Só passou a existir quando a Pastoral foi levar café da manhã pra gente e nos deu a idéia de formar uma cooperativa.
Como é a sua estrutura familiar? É casada? Tem filhos?
Não sou casada no papel, mas tenho um companheiro. Tenho dois filhos.
Qual a importância da Reciclo pra você?
Ela me deu tudo. Hoje eu tenho vontade de lutar por um país mais justo e também luto por uma vida melhor para os meus filhos.
Qual a sua expectativa quanto ao futuro dos seus filhos?
Quero que eles possam ter uma boa educação. Que possam ter um bom estudo. Que eles possam morar em uma casa com boa estrutura.
Tem algum sonho? Qual?
Sim. Ter a minha casa e também um local para que eu possa trabalhar com a reciclagem.
Que atividades você gosta? De ler? Escrever?
Gosto de ler, escrever, dançar e ouvir música.
Você acha importante a profissão de jornalista?
É importante porque divulga o trabalho das pessoas, como o nosso da Reciclo. E também nos descreve as realidades do mundo.
O que você aprendeu durante as oficinas desenvolvidas pelos alunos de Jornalismo Regional da Universidade Católica em prol da sua comunidade? Que aprendizados você teve?
Foi muito importante. Eu aprendi como se deve falar e agir em lugares privados e também a lidar em grupo. Aprendi a mexer no computador, a fazer textos e também aprendi palavras diferentes.
Que papel você desempenha na Reciclo?
Sou agente educacional, secretária e também catadora de materiais recicláveis.






Vizinhança

Vizinho é um título que todo mundo tem ou já teve um dia. Não ter vizinho é luxo e é pra muito poucos. Se você tiver 35 milhões de dólares disponíveis você pode se dar o luxo de comprar uma ilha minúscula no pacífico e não ter vizinho propriamente dito, mas se seguimos a risca o que a palavra significa, provavelmente o dono da ilha mais próxima da sua (pode variar, mas é algo entre 30 km de distância de uma ilhota pra outra) pode ser considerado seu vizinho também.
Portanto vizinho é algo que ‘todos’ somos e temos. Vizinho é pra açúcar, jornal de domingo, ombro amigo, pai do amigo do seu filho, carro na frente da sua garagem, furadeira no domingo de manhã, criança chorando de madrugada, briga de casal, ‘aí ta sem água também?’, ‘aí ta sem luz também?’ e segue mais itens numa lista extensa e, muito provavelmente, infinita.
Que seja, vizinho torna a vida pouco monótona. Falar mal de vizinho faz bem a saúde e se faz bem pra saúde dele, pra sua e pra minha, por que deveríamos repreender?
Vizinhança unida é vizinhança antiga e vizinho novo é penetra, ninguém gosta dele de começo, ele tem que comprar o amor dos vizinhos falando bom dia’s sorridentes, alegres e bem gritados nos domingos. Ou quem sabe ter um filho fofo. Isso, se você quer se mudar pra um bairro novo adote ou faça um filho bem bonitinho e fofo. Daqueles que dizem bom dia no melhor estilo ‘om ía!’ e que cantem quando alguém pede pra ele cantar e que dêem tchau quando a pessoa der tchau. Não há vizinhança que resista a crianças fofas, fato.
Cada dia menos existe contato entre os vizinhos. As pessoas não saem mais pra rua com medo da violência e área de lazer de apartamento é coisa pras babás e pras crianças se confraternizarem. Os adultos se falam cada vez menos. O ‘boa noite’ no elevador basta e isso é triste. Vizinho é aquele semelhante que poderia tanto ser um amigo. Não basta ser educado com as pessoas, tem que ser humano, se ser vizinho elimina isso só porque você não conhece a pessoa de fato, então eu prefiro morar numa ilhinha do pacífico. Pena que meus vizinhos são bem simpáticos e sempre dispostos a saber da vida alheia e fazer o social.

História do Bairro

Taguatinga é uma cidade satélite que se desenvolveu como as outras cidades satélites. Ao término da construção de Brasília muitos daqueles trabalhadores que ajudaram a cidade a se erguer não queriam voltar para as suas cidades natais. Os motivos eram evidentes. Uma cidade nova precisava de gente para preencher os milhares de postos que toda cidade precisa, a oportunidade de emprego era palpável.
O momento era propício para se estabelecer em Brasília. Só que muitos não tinham a quantidade de dinheiro necessária pra comprar um apartamento nas cidades satélites, logo eles começaram a habitar os arredores vazios da cidade. Surge assim Núcleo Bandeirante, Planaltina, Sobradinho, Guará, Taguatinga e aí por diante.
Taguatinga cresce rápido como cidade e se desenvolve com uma certa organização. Ela cresceu de leste a oeste e depois para o sul, mais tarde desenvolvendo o que hoje é Ceilândia. Taguatinga teve base cultural forte. O Teatro, o cinema e até exposições eram freqüentes na cidade. Bares reuniam estudantes que viviam por ali. A cidade parecia ser promissora e prometia independência. O fato é que com o passar dos anos a cena cultural de Taguatinga diminuiu e hoje ela é fraca e pouco prestigiada. Os motivos variam, o fato é que a iminente independência hoje já pode ser vislumbrada novamente. O centro administrativo do Distrito Federal está em Taguatinga e quem sabe assim, os próprios moradores da cidade sintam que está na hora de deixar de lado os vínculos com o Plano Piloto e fazer de Taguatinga uma cidade metrópole.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

As mulheres fazem a cara da Reciclo

Cooperativa de catadores de lixo conta com força e organização das mulheres.

Marca forte da Cooperativa Reciclo não são as fibras de celulose que a coleta seletiva pode produzir, mas a fibra das mulheres que compõem a comunidade. De acordo com pesquisa do departamento de Serviço Social da Universidade Católica de Brasília, das 45 famílias cadastradas na comunidade, 37 têm a mulher como responsável pelo registro, enfim, como chefe de família. E como não podia deixar de ser, a presidente da cooperativa é uma dessas matriarcas.
Jaqueline Souza da Silva brada para quem quiser ouvir: "nossa luta é por trabalho e moradia". A presidente cuida de casa, do filho Adrian, distribui as atividades dos catadores, participa de fóruns e cursos e poucas vezes é vista ao lado de seu companheiro Robervaldo Alves da Conceição.
A cooperativa é construída pela organização de ex-moradores de invasões, que se viram unidos pela mesma atividade: a coleta de lixo para vender e sobreviver. As mulheres são responsáveis por todo tipo de trabalho. Participam tanto da coleta do material nas ruas, como da separação quando ele chega na comunidade. Para ser vendido, o material precisa ser separado por tipo e depois por cor. Assim, plásticos transparente, azul ou preto, papelão, papel de jornal ou papéis coloridos são separados em um espaço protegido por uma lona simples em uma espécie de galpão.
Cristiane Ribeiro da Silva é uma dessas mulheres batalhadoras. Ela explica como as condições precárias reduzem o lucro da cooperativa. "A gente ganha pouco porque não tem estrutura". Ela mostra que o material fica no chão e quando chove, não adianta só lona, muita coisa se perde. Cristiane conta também que já perderam doação de material por não ter carroça ou transporte para ir buscar.
Apesar de várias famílias ajudarem no trabalho, a quantidade de material arrecadada não dá para vender direto para empresas de reciclagem. Os "atravessadores" compram por um preço baixo e repassam para as grandes empresas. O valor é repartido com todas as pessoas que trabalharam, na proporção do que foi anotado pela presidente Jaqueline, que tem tudo registrado.
A jovem Carina Rosa, de 21 anos, trabalha em dois postos: catando material e na separação. Apesar de seu marido Cléber ser ativo na comunidade, ela também aparece como chefe de família. Mãe de Cauã e Cleiton, ela diz que faz parte da família "C", por conta da inicial do nome de todos, e conta que fugiu de casa para ficar com o marido.
A piauiense Francilene Araújo também aceitou o desafio de fazer parte da comunidade. "Quando a gente chegou aqui nesse cerrado, tudo desabou" diz ela com olhar triste. Mulata, magrinha, mas de braços fortes, veio para Brasília com vontade de melhorar suas condições e já trabalhou em fábrica, em casa de família como doméstica e depois como catadora.
Na época que conheceu seu companheiro Luciano, foram morar juntos em uma invasão atrás do Carrefour Sul. Francilene evita detalhes e dispara: "Lembrar do passado é sofrer duas vezes". Hoje, após discussões, e problemas com drogas, o rapaz não mora mais com ela na comunidade. Ela diz que foi Luciano quem fez o primeiro contato com Jaqueline, já quando moravam em uma invasão atrás do Café do Sítio, no final de Taguatinga Sul. Jaqueline o convidou para fazer parte da Reciclo, e Luciano veio trazendo a família.
Atualmente, Francilene se desdobra para cuidar sozinha dos dois filhos e ainda trabalhar como catadora. Como as crianças são muito pequenas, é difícil levá-las e é difícil deixá-las em casa sozinhas. A creche da comunidade seria uma ajuda, mas ela teme que Luciano se zangue com a situação e leve as crianças.
Apesar das dificuldades, todas essas mulheres têm uma característica em comum. Ninguém tem vergonha de dizer sobre seu trabalho e onde moram, e acreditam fortemente que as coisas vão melhorar. Geofrance, marido de Cristiane Ribeiro, no início não quis concordar com a ida para a comunidade, mas diante da determinação de sua companheira teve que ceder. A cooperativa é recente e tem se organizado partir da união das famílias, da ajuda de outras organizações, e da valentia dessas mulheres.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Cooperativa Reciclo na luta pela vida

Uma mostra da precariedade em que vive as 43 famílias integrantes da cooperativa de catadores Reciclo. As condições em que essas pessoas vivem são precárias e absurdas. Politicas Públicas é coisa que não se vê por lá. Isso revela que as leis do nosso país não estão abraçando de fato TODO o povo brasileiro.
“Brasil mostra a sua cara”.







Mateus ( 3 anos )







Tatiane (6 anos)

O calor é de arder, a água é rara e o cheiro é fedido. Mosquitos, cachorros e cavalos fazem parte do ambiente de moradia das 43 famílias que vivem reunidas na Cooperativa Reciclo, uma cooperativa de catadores do Distrito Federal que luta a cada dia pela sobrevivência.
Instalados atrás do supermercado Carrefour, em Taguatinga Sul, os cooperados não possuem água potável e nem luz elétrica. Seus barracos são feitos de madeira, lona e pedaços de sucatas encontrados nos lixos da cidade. Nessas condições a cooperada Sirgilene da Silva, 37 anos, e o esposo criam seus quatro filhos.
Ela conta entristecida sobre a dificuldade de buscar a água para o uso diário. São 30 minutos de caminhada até chegar à bica. Na volta o cansaço já tomou conta de suas pernas e o peso das garrafas dificulta ainda mais o percurso. Por isso, muitas vezes os cooperados passam o dia sem água. Ninguém sai ileso com a situação; adultos, jovens, crianças e até os recém nascidos sofrem as conseqüências de um dia na e sede e na seca. “A vida aqui não é fácil, nós lutamos a cada dia”, ressalta Sirgilene.
A luz elétrica dentro da Reciclo é ilícita. Os moradores fazem uma série de gambiarras para puxarem a energia pública, assim conseguem ligar as lâmpadas de luz e também alguns aparelhos elétricos como televisão, rádio e liquidificador. O problema é que além de ser errado usar energia pública, o risco de acontecer um acidente é muito grande. Essas gambiarras são feitas com fios velhos, desencapados.
A Cooperativa Reciclo se organizou com a ajuda da Universidade Católica de Brasília (UCB), da Caixa Econômica Federal e de outros parceiros. Hoje, tem a certeza segundo Gervasio da Silva, pai da presidente da cooperativa, Jaqueline, que os barracos não serão mais derrubados. O Sivi-Solo se comprometeu a enumerar os barracos para ter o controle do número de integrantes da cooperativa e assim iniciar o processo de construção das novas moradias. Enquanto isso, essas famílias vão resistindo a toda precariedade em que vivem.



Ana Vanessa/ Camila Peres/ Hélida Fernanda/ Camila


Reciclo

Por Natalie Louise, Rayssa Maryanne e Tamyris Amaral


Manhã de sábado, sol quente, pouca umidade. Foi nesse clima incrementado pela lona preta do barracão que constatamos algumas regras de funcionamento da Cooperativa Reciclo, e conversamos com alguns dos membros participantes de um grupo que funciona dentro dessa comunidade, o grupo do artesanato.
Criada há alguns anos a Reciclo é formada por um grupo de pessoas determinadas com o apoio de entidades religiosas e filantrópicas, além de instituições de ensino. Hoje a comunidade conquistou até o financiamento do banco Caixa Econômica Federal. Com essa ajuda se organizaram e fizeram do hábito de coletar material reciclável nas ruas, um negócio lucrativo o suficiente para subsistência de seus componente. Um exemplo de autoestima, cidadania e perseverança.
Seus membros ainda vivem em casas de lona e madeirite em meio às montanhas de entulhos. Nada é como se sonha, mas a atitude, a confiança de seus componentes fornece forças para prosseguir o trabalho de coleta do material necessário para subsistência.

Artesanato
Os catadores que trabalham na Reciclo recolhem papelão, plástico e outros, e depois vendem uma parte. Uma parcela da venda, ainda que pequena, se destina ao artesanato. A idéia de confecção de puffs feitas com garrafas de refrigerantes foi proposta da Pastoral.
São quinze pessoas trabalhando, apenas dois homens, durante três dias da semana (terça, quarta e quinta-feira). Depois de lavada, a garrafa, em média, demora um dia e meio para secar. Naquela semana vinte e cinco puffs foram produzidos e não foram mais, porque o material tinha acabado.
Depois que as garrafas são encaixadas, a estrutura é acolchoada e coberta por tecidos. A comunidade ainda não tem uma máquina de costura, portanto esse trabalho de costura é feito por terceiros. O preço deste produto chega a custar R$ 45,00. Toda a renda arrecadada é dividida: 3% reservado para a compra de material, 5% fica com a Reciclo e o restante é dividido entre os artesãos.
“Agora, a gente quer aprender a usar o anel de latinha”, comenta uma das líderes do setor de artesanato, Nívea Souza.
O que se percebe ao visitar essa comunidade situada no Pistão Sul de Taguatinga atrás do Carrefour, é atitude empreendedora e bem sucedida. Optaram por criar seu espaço, ao invés de cruzar os braços e esperar pelo cumprimento de promessas feitas em eleições.

domingo, 18 de novembro de 2007

O amor aos outros filhos

Texto: Laura Maria
Olívia Florência
Fotos: Elisângela
A necessidade de trabalhar faz com que muitas mães da comunidade Reciclo deixem seus filhos em uma creche improvisada por algumas mulheres, mais especificamente adolescentes entre 12 e 17 anos. O lugar é chamado de Tenda pelos moradores e se localiza no centro do local onde a Comunidade vive. É um galpão pequeno, forrado de papelão e com muita arte criada pelas próprias crianças. Neste espaço não só funciona a creche diurna, mas também reuniões, lanches, a pastoral aos sábados, produção de pufs feitos com garrafas pets e rezas feitas à noite pelos integrantes do grupo.
A responsável pela administração das crianças é Tatiana, 17 anos e casada. Ela diz que é muito difícil para ela e as duas outras meninas que a auxiliam porque quando as mães deixam seus filhos na Tenda, os infantes começam a chorar de saudade de seus pais. Muitos ficam durante todo o horário de funcionamento do lugar, de oito horas da manhã ao meio-dia e de duas da tarde às seis da noite. Durante este tempo, os pequenos ficam brincando em cima do papelão, fazendo os trabalhos artísticos planejados e disponibilizados pelas três garotas. Tatiana diz que o maior problema é a comida, já que muitos pais não deixam nada para seus filhos se alimentarem e, devido à dificuldade da própria comunidade em receber doações, os lanches dessas crianças não têm todos os nutrientes necessários. Se há bebês para supervisionar, as garotas procuram por mães lactantes para que as ajudem.
Tatiana afirma que a tarefa que as crianças mais gostam é quando colocam o rádio para tocar e elas ficam pulando, dançando e cantando. São aproximadamente 85 crianças na Comunidade e mais de 20 freqüentam a creche. Os outros mais velhos dedicam seu tempo à escola. Os infantes já se apegaram às garotas que os supervisionam e muitas vezes rejeitam seus pais quando estes chegam da jornada de trabalho. As três garotas não ganham para cuidar dos pequenos, algumas vezes recebem uma ajuda das pessoas da Comunidade.
Uma pequena parcela de mães prefere não deixar seus filhos na creche por motivos de cuidado pessoal. É o caso de Joselita Socorro que tem quatro filhos e nunca deixou nenhum na Tenda. “Eu sei cuidar dos meus filhos melhor”, diz Joselita. Ela acha que as meninas não cuidam das crianças como deveriam, que o contato com crianças doentes da comunidade pode passar males a seus filhos e acredita que sob seus cuidados a criação dos garotos é mais certa. Como a Tenda não é trancada, Joselita diz temer que algo aconteça. Como tem de trabalhar para sustentá-los, ela deixa os mais velhos cuidando dos mais novos e acredita que isso é o certo.
É admirável o que meninas tão novas fazem por crianças que sequer possuem laços sanguíneos. Quando se visita a Tenda, é de fácil percepção o carinho que elas têm por cada um que supervisionam. E o sentimento é recíproco, pois muitas crianças se apegaram às garotas como a seus pais.





quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Vizinhança

Tranqüilidade, paz e conforto. Esses são os sonhos de quem se muda para Águas Claras, uma cidade essencialmente residencial. O comércio visa apenas atender as demandas locais, sem mega-empresas ou badalações. À noite, realmente faz jus a essa idéia de ser a “cidade que sempre dorme”, pretendida pelos moradores.
Durante o dia, no entanto, a cidade é tomada pela confusão que as incessantes construções trazem. Carreta pra lá, caminhão pra cá e pedestres andando de um lado para o outro. O trânsito é, não raramente, caótico. “Com ruas esburacadas e um altíssimo número de carros, muitas vezes é perigoso transitar pelas ruas. Há muitos acidentes”, diz Rayanna Andrade, 28 anos, moradora há cinco de Águas Claras.
Ruas estreitas, falta de sinalização em diversos cruzamentos talvez sejam os maiores pecados urbanísticos. Mas soma-se a isso a total ausência, com exceção do parque, de áreas verdes. Sem vias arborizadas, a cidade é torna-se uma paisagem árida, tomada pelo cinza do asfalto e o marrom das construções.
O barulho não pára. Marteladas, britadeiras, caminhões.
Águas Claras tem uma população fixa e uma sazonal. São poucos os momentos que ambas encontram-se na cidade. Enquanto os residentes rumam a outros locais para trabalhar, os sazonais (obreiros, empregadas domésticas, funcionários de lojas, etc.) chegam a Águas Claras para o mesmo fim. Ao fim do dia, o processo se inverte, e quem passa o dia fora vem deitar-se em Águas Claras. Quem de fato vive aqui, dorme em outra freguesia...

Águas Claras

Brasília, a capital de JK, foi planejada para abrigar cerca de 500 mil habitantes no ano 2000. De sua criação pra cá, muitas políticas assistencialistas transformaram Brasília em um destino de retirantes. Com isso, as cidades satélites tiveram um grande crescimento populacional, e na segunda metade dos anos 80, decidiu-se pela construção de um metrô que ligasse essas cidades periféricas ao Plano Piloto.
Havia um problema, porém. Um imenso vazio entre o Park Way e Taguatinga. A consultoria contratada pelo governo distrital da época aconselhou uma utilização ativa daquele pedaço de terra, que casava com a crescente demanda por novas habitações. Daí surgiu, em 1984, Águas Claras.
A região, no início, foi quase toda construída por cooperativas habitacionais. Com este tipo de associação foi possível realizar o sonho da casa própria de pessoas com baixo poder aquisitivo. Entretanto, a simplicidade e incipiência estrutural das cooperativas mostraram entraves significativos demais para serem superados e o mercado cada vez mais exigente foi tomado pelas construtoras.
O que começou como uma cidade com imóveis acessíveis hoje mostra-se como um local cada vez mais elitizado. Não cessam as construções de luxo e com confortáveis áreas de lazer. Com isso, os imóveis valorizam-se em velocidades assustadoras. “De 2004 a 2007 os terrenos em Águas Claras valorizaram muito entorno de 59%“, afirma Fernando Tormim Borges, diretor comercial da construtora Allicerce. Quem adquiriu um apartamento, lote ou qualquer pedacinho de terra nos primórdios da cidade fez um ótimo negócio.
As facilidades apresentadas pelas construtoras servem como outro incentivo. “Comprar um imóvel em Águas Claras é, além de mais barato, mais suave para pagar”, afirma Mariele de Ávila Santos, moradora há quatro anos. Outro fator observado por Santos é a segurança que os condomínios fechados proporcionam aos moradores.
O crescimento avassalador traz, também, alguns inconvenientes, como a poeira e o trânsito tomado por caminhões, tratores e carretas. O progresso, com o perdão do chavão, traz suas conseqüências.

sábado, 10 de novembro de 2007

Em visita a comunidade reciclo tivemos a oportunidade de conversar e conhecer como os moradores vivem.


Nossa chegada à comunidade.



Tatiane (6 anos), foi quem nos recepcionou.


Era uma manhã de muito sol e calor,
e o pequeno Mateus (3 anos),tentava
amenizar os efeitos da seca.


Um dos meios de transporte usado
pelos catadores para fazer a coleta.



As condições precárias para
a preparação das refeições.




Essas são as “casas”!


A comunidade (Reciclo) vive de catar e separar o lixo.

Turma: MNA
Alunas: Ana Vanessa
Camila
Camilla Sanches
Hélida Fernanda

Guará

"".
...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Inocência


Reciclo...

"Vamos Brincar?"










Fotos: Fabiula Vasconcelos.

Pipa, onde?


Reciclo...



Uma pipa em um dia claro.
Fotos: Fabiula Vasconcelos.

Uma infância

Reciclo...




Brincando de esconde esconde.





Fotos: Fabiula Vasconcelos.
























terça-feira, 6 de novembro de 2007

Analfabetismo – uma triste realidade.

Analfabetismo – uma triste realidade.

Conversando com uma participante da oficina texto feita pelos alunos de jornalismo regional e comunitário da UCB, foi lido um texto que dizia assim:
“Meu nome é Ivaneide tenho 20 anos, moro na comunidade reciclo, tenho dois filhos e moro eu e o meu marido.”
Como havia alguns errinhos de pontuação foi pedido que ela reescrevesse o texto corrigindo-o. Então ela disse que não tinha sido ela que escrevera o parágrafo o que gerou a entrevista abaixo:

Érika: Quem escreveu esse parágrafo?
Ivaneide: Foi minha colega, como não conseguiria, eu fui falando e ela escreveu para mim.
Érika: Você não sabe ler e escrever?
Ivaneide: Não sei.
Érika: Sabe escrever o seu nome?
Ivaneide: Também não!
Érika: Não sente falta?
Ivaneide: Eu já até comecei freqüentar a escola, mas é tudo muito difícil, tenho que trabalhar para poder ajudar na renda da Reciclo. Às vezes eu até me esforço para tentar entender o que está escrito nas faixas da rua. Mas não passa disso.
Érika: Seus pais não lhe colocaram na escola quando era criança?
Ivaneide: Não, na época eu não morava em Brasília, morava numa chácara em com minha mãe e lá não era preciso ler e nem escrever. Não fazia a menor diferença eu saber ou não ler e escrever.
Érika: Qual foi a vez em que você mais sentiu necessidade em saber ler e escrever?
Ivaneide: Quando eu vim para Brasília, nem documentos eu tinha, tive que tirar agora para poder me cadastrar nos programas que varias entidades nos oferecem. Mais esse ano irão implantar uma escolinha lá na nossa comunidade e eu vou aprender a ler.
Hoje se sabe que existem analfabetos no país, mas a sensação de conhecer um e extremamente estranha. Pois para quem sabe ler e escrever a escrita torna-se muito simples e fácil enquanto para outros é um enigma.
É importante que esse caso seja resolvido pelo governo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Conhecendo um pouco dos jovens da Reciclo.



































Fotos: Leonardo Arruda







Conhecendo um pouco dos jovens da Reciclo.

A cooperativa Reciclo é um lugar que, para muitas pessoas, só podemos encontrar catadores de lixo, se engana quem pensa isso. Lá vivem pessoas comuns com uma vida normal, muitos tem famílias, outros trabalham fora da comunidade, em fim, eles vivem conforme as condições.
Reciclo tem muita gente jovem e uma questão nos foi colocada, o que esses jovens fazem para se divertir, como eles namoram, se eles são excluídos da cultura, da escola, essas coisas que os adolescentes sentem falta a uma certa idade. Conversando com algumas garotas que tinham entre 15 e 18 anos, podemos perceber que elas não se importam com algumas coisas que elas não tem e que outras garotas com mais oportunidades tem, algumas sonham em viver melhor, sair “daquele lugar”, estudar, trabalhar, morar em uma casa confortável, outras não tem muitos objetivos para o futuro, até porque a maioria já tem uma família formada, muitas delas já tem 3, 4, filhos, ou seja, já são chefes de família mesmo. Para um jovem rapaz, que tem lá por seus 17 anos, a vida parece não ter mais graça, ele nos conta que veio da Bahia com sua irmã, ambos em busca de melhorar de vida, ele não se mostra muito empolgado com a vinda para Brasília, ele, que só estudou até a quarta série, não tem vontade de voltar a estudar, não gosta de sair, não pensa em sair da comunidade para trabalhar em outra coisa.
É assim que os jovens da Reciclo vivem, alguns com esperança de conquistar seus ideais, outros um pouco desiludidos com as presepadas que a vida prega para todos.


























Por: Carolina Soares Malheiros.

sábado, 3 de novembro de 2007

Minha Vizinhança

Por morar no Park Way minha vizinhança é feita totalmente por grandes lotes com lindas casas em sua maioria. Bem ao lado da minha casa pode observar uma casa de eventos que talvez seja um incomodo para alguns vizinhos em dias de festas. As casas de eventos as encontram por todo Park Way, apesar desse setor residencial não ser permitido o comércio.
Um bairro com aspectos bem singelos ganhou um ar romântico com toda a arborização existente nele. Essa arborização impulsiona os moradores a fazerem caminhas matinais ou diurnas a beira da pista que segue por todo o bairro. São através dessas caminhadas que a comunicação entres os vizinhos ocorre, pois com a correria do dia-a-dia e também o afastamento entre as casas acaba não tendo tempo para visitas. É muito raro um vizinho estar muito próximo ao outro. Isso só ocorre em lotes que são divididos formando pequenos condomínios.
Apesar da boa vizinhança e da beleza natural do lugar, o bairro acabou gerando muitos roubos. O distanciamento e a grandeza das construções são os maiores fatores para os assaltos. Porém isso ainda não impede de ser um lugar muito agradável para moradia.

Por Rayssa Campos

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Vizinhança: Manual Prático de Sobrevivência

Vizinhança é uma coisa engraçada. Quando chega um caminhão de mudança no bairro, é um alvoroço só! Em questão de horas, todos já sabem todos os dados do novo morador do local: quantos compõem a família, nomes, idades, profissões, tamanho da pata do animal de estimação [caso o animal as tenha], cidade de origem, renda salarial e árvore genealógica. Uma rede de veiculação de informações capaz de fazer inveja aos mais dedicados espiões de Hitler.
Em minha rua, particularmente, grande parte dos moradores reside no local há mais de uma década [como minha família, que reside há quase duas]. Certas peculiaridades que vêm com o tempo são inevitáveis, tais como o “relatório diário” sobre vidas alheias, sobre a vida dos próprios familiares - como a filha namoradeira que ficou até tarde no portão -, ou o anúncio de que a cunhada do primo da namorada do irmão do vizinho da frente vai passar uma temporada por ali.
Certas coisas acima citadas não são saudáveis para o convívio comum, mas por outro lado, essa convivência acaba tornando a vizinhança mais unida. Não são poucas as vezes em que moças são socorridas quando o carro não funcionam pela manhã, que um leva o filho do morador ao lado para a escolinha de futebol junto aos seus ou que um vizinho leva o outro ao hospital durante a madrugada. Hábitos que acabam transformando todos numa grande família, até mesmo a troca de receitas vistas no programa da Ana Maria Braga. Enfim, minha vizinhança é o verdadeiro estereótipo da “boa vizinhança” apesar de todos os contras. Não creio que seja errado dizer: Vizinhos - ruim com eles, pior sem eles!

Histórico do Setor Sul

Minha cidade tem um nome que não se sabe ao certo a origem, apenas que pegou para si o nome de uma fazenda que ficava na região: o Platô do Gama, que ficava às margens de um ribeirão com mesmo nome. Logo no projeto da cidade, feito pelo arquiteto Paulo Hungria, meu bairro foi planejado.
A cidade foi inaugurada em 12 de outubro de 1960, com 5 setores/bairros: Sul, Norte, Leste, Oeste e Central. Cada um desses bairros foi dividido em quadras de formato hexagonal, dando a idéia de uma grande colméia. O bairro tem divisas com outros três bairros [Leste, Oeste e Central] e também dá acesso à saída do Distrito Federal em menos de 5min na direção de um automóvel.
Hoje, a cidade atende de várias formas pessoas de cidades do Goiás, seja com atendimento hospitalar, escolas ou empregos.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

...Vizinhos...

A vizinhança para quem mora em prédio, muitas vezes, é desconhecida. É o meu caso. No máximo um “Oi, bom dia (tarde, noite)!”, não passa disso. Às vezes, um segura o elevador para o outro subir; ajuda a carregar as compras do supermercado, mas nada além. Só resolvem se conhecer quando acontece algum problema: uma música muito alta, muita gente gritando ao mesmo tempo num apartamento minúsculo, daí , já viu, é campainha tocando, interfone, tudo junto. No outro dia, bronca do síndico.
Engraçado que ninguém pode reclamar do som ALTÍSSIMO de Calipso, já pela manhã em pleno sábado, domingo ou feriado. Nada contra (nem tampouco a favor) a banda, contudo, são dias em que pretendemos descansar, dormir até um pouco mais tarde, enfim. O fato é que acordar com certos gritinhos estridentes de “a lua me traiuuuu” ou “isso é calipsoooo”, que atravessam as paredes nada finas q ligam os apartamentos, não é o meu despertador favorito.
Pois bem, viver e conviver com pessoas diferentes da gente, com costumes e hábitos completamente distintos dos nossos, não é tarefa das mais fáceis, porém não podemos parar de viver por isso. Afinal de contas, a vida tem que continuar, com ou sem vizinhos!

sábado, 27 de outubro de 2007

Aguas Claras

Águas Claras

Não tem muito que se achar aqui nessa cidade, onde eu volto a dizer: Nada acontece.
Ainda não tinha postado nada sobre a minha comunidade, porque não tinha encontrado nada que fosse interessante para compartilhar no blog.
Mas como dizem, quem procura acha, eu achei um projeto social, desenvolvido pelo Colégio Leonardo da Vinci, que fornece bolsas de estudos. Apesar de muitos não saberem, o Leonardo da Vinci faz parte de Águas Claras.
Em águas Claras existem vários prédios de luxo, mas para uma cidade “planejada“ falta muito. A vizinhança é relativamente pacata. Claro que existem exeções, mas onde não tem.
Aqui na minha respectiva cidade, Águas Claras, que de clara só tem o nome. Por que na época de chuva, é a lama “clara” e na seca, é a poeira também é “clara”.
Essa é a minha cidade!

Por Hélida Fernanda

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Meu Bairro

Pensar no meu bairro, na minha casa é estranho, pois só estou em casa enquanto durmo. Minha casa é somente um dormitório, são raros os momentos em que estou em casa fazendo outra coisa ou em outro horário. Há 21 anos que eu morro no mesmo lugar, mas somente depois dos 12 anos que realmente descobri a história do lugar onde me criei. Nasci em Taguatinga, mas moro no Setor"O". Barro da cidade de Ceilândia, que começou com uma invasão e com o passar do tempo se tornou uma cidade satélite.
Por mais que a cidade seja discriminada por algumas pessoas que conheço, gosto de morar lá. O bairro é tranquilo, onde as pessoas conseguem caminhar na rua sem serem assaltadas há todo momento, o índice de assalto baixou muito nos últimos anos.
Uma coisa bem interessante é como as crianças gostam de brincar na rua, até parece que lá ainda não chegou internet nem mesmo a televisão, mas mesmo assim acredito que isso é uma coisa muito positiva, acredito que criança tem que ser criança, para depois serem adultos bem melhores dos que temos hoje.
Então viver é preciso.



Por: Fabiula Vasconcelos

domingo, 21 de outubro de 2007

Cidadania com reciclagem


















Fúlvio Costa

Trabalho conjunto tem sido o caminho da comunidade de recicladores que luta por uma vida melhor. Conquistas, fracassos e sonhos fazem parte de seu cotidiano, mas como impulso para aspirações futuras.
Quem já visitou ou já ouviu falar nela, a conhece por Comunidade RECICLO (Reciclagem e Cidadania). Eu prefiro chamá-la de comunidade da esperança. Comunidade dos que lutam por voz, oportunidade e por um horizonte diferente daquele visto e experimentado por eles até hoje.

A RECICLO está localizada em Taguatinga Sul-DF para compor mais um cenário controverso e banal do Brasil. De um lado está o suntuoso prédio com traços greco-romano do colégio Leonardo Da Vinci. Do outro, o bairro de classe média, Águas Claras. Os pouco mais de cem catadores da comunidade são mais um retrato da disparidade social. Uma evidência entre tantas outras pouco remediada pelas autoridades.


A comunidade é formada por famílias que levavam a vida a pedir nas esquinas de Brasília. “A vida ia passando pedindo. Os calos nos meus pé ficaram de tanto eu ficar no chão esperando pelos outro. Eu não fazia outra coisa a num ser pidir”, afirmou Maria Francisca quando se aproximou da entrevista que eu estava realizando com Gervásio dos S. da Silva.

Gervásio, 47, diz que “tudo é bom enquanto dura”. Quando perguntado como chegou até ali, diz ter passado muito sofrimento. Explica o que passou nas longas viagens por alguns estados do Brasil: das dificuldades e de como deixou de ser andarilho. “Um dia eu vi que se eu continuasse naquela vida, não ia parar em lugar nenhum”. Vindo de Bom Conselho, Pernambuco, ele lembra do sofrimento que passou nas mãos do padrasto quando era criança, das quatro esposas que já fizeram parte de sua vida e dos 18 filhos.

Hoje se sente feliz por ter a união da família, as conquistas da RECICLO e o sonho de possuir um local digno para morar. Para ele, a maior vitória da comunidade é ter parceiros que colaboram com o andamento dos projetos, que encaminham a luta da cooperativa e se preocupam como se fossem partes daquele ambiente.

Outro orgulho de Gervásio é a filha Jaqueline Sousa, 20, que é presidente da cooperativa e articuladora com o apoio dos parceiros da comunidade. Jaque, como é conhecida na comunidade, está na liderança há quatro anos, e, apesar das dificuldades, ela luta e gasta a maior parte de seu tempo na construção dos sonhos da comunidade. Já esgotado o período na liderança da RECICLO, ela está à procura de uma nova presidência para assumir seu lugar, mas sente dificuldades para encontrar alguém com determinação, coragem e espírito de liderança.


O peso do trabalho na comunidade RECICLO é paralelo ao pouco dinheiro que ganham: os catadores que mais se esforçam têm recebido nos últimos meses R$60, e os que trabalharam menos, receberam R$15. É algo que foge dos planos de qualquer ser humano. Para eles a saída tem sido buscar recursos por meio do trabalho artesanal: “temos feito tampas de jarra, cadeiras de garrafa pet e leques de jornal”, disse Jaqueline.

As dificuldades cercam de várias formas trabalhos ligados ao contato direto com o lixo. Sobre o preconceito, eles nem ligam mais. “As pessoas ainda nos olham torto, fecham a cara”, diz Gervásio, mas já percebem que as mudanças vêm ocorrendo gradativamente. “Tem gente que até nos dá bom dia, boa tarde. Perguntam assim: Como vai, seu Gervásio? Eu respondo que vai bem”, afirmou contente o mais velho dos catadores da RECICLO.

Apesar do longo caminho de lutas e possíveis fracassos que poderá ter pela frente, a comunidade sonha alto em pouco tempo, pois acredita que já conseguiu algo. A luta dos catadores tem olhar infinito e busca constante, tem objetivo e força de vontade. É isso que lhes assegura um caminho com brilho nos olhos e trabalhos em punho para a luta contra a pobreza que subdivide todo o Brasil.
Fotos: Rudney Victor

sábado, 29 de setembro de 2007

recliclo na comunidade

meu nome e monica moro na comunidade reciclo,

Reciclo

Hoje eu recebi em minha turma a comunidade de catadores Reciclo. Eles vieram se alfabetizar no mundo digital!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Sambeverly Rios

Com o intuito de abrigar as famílias que vinham para Capital com a idéia de vida melhor e fazer fortuna, surge Samambaia em 1985, como outra tentativa do governo de fornecer o mínimo de estrutura para essas pessoas.
Segundo o Censo de 2000, são 63.000 habitantes morando nos dois bairros, se assim podem ser chamadas as duas Samambaias, Sul e Norte.
A inspiração de nomear a região administrativa (RA) veio de um córrego que se perdeu entre as construções como outros tantos em todo DF.
Samambaia surgiu como alternativa do governo de distanciar cada vez mais os operários de sua obra, a Capital. Dessa forma, quem morasse no Plano não vislumbraria a péssima condição em que viviam essas famílias. O problema estaria isolado. Os desbravadores chegavam em um descampado com o mínimo de saneamento básico, pias comunitárias, esboços de ruas na pura terra roxa, e casas feitas de resto de madeira e lona. O transporte até pouco tempo era algo inconcebível em todo o DF, poucos ônibus velhos e quebrados.
Não deixa de ser humor negro que em volta da Capital sonhada por Dom Bosco, como muitos acreditam, prometida por JK, realizada a partir do Plano Piloto de Lúcio Costa e embelezada pela arquitetura de Niemayer, exista um anel efervescente de ruas mal pavimentadas, construções irregulares feitas por arquitetos autodidatas.
Em Sambeverly Rios, o mar é o córrego, os conversíveis a gente troca por um fusquinha do tipo barulhento, mas mesmo assim Samambaia tem seu glamour.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

A descoberta de um lugar chamado Santo Antônio

Santo Antônio do Descoberto foi fundada por volta de 1722, no auge do ciclo do ouro do Brasil colônia.
Tornou-se distrito de Luziânia em 1963 e emancipou-se em 14 de maio de1982, 260 anos depois de achado o ouro.
Aqui em Santo Antônio foi achado ouro, daí deu-se inicio a construção de uma capelinha em louvor a Santo Antonio de Pádua e erguida uma cruz de madeira no alto do Morro Montes Claros.
Diz a lenda, que os escravos acharam uma imagem de Santo Antônio debaixo de um pé de angico e ao lado construíram essa capelinha para abrigar a imagem do Santo. É desconhecida a data precisa de quando se deu inicio á construção da capelinha, mas sabe-se que foi entre 1722 e 1748 conforme um documento que se encontra em poder da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Logo após essa descoberta a cidade passou a se chamada de Santo Antonio do Descoberto. Santo Antônio por terem encontrado a imagem e Descoberto por terem feito essa descoberta.
O município de tem uma área de 941,6 km2 conforme dados do (IBGE).
A sede do município faz limite com: ao sul, Luziânia, a oeste Alexânia e Corumbá, ao norte Águas Lindas de Goiás e Distrito Federal, fazendo parte da micro região 012, ou seja, Santo Antônio está localizada no chamado entorno do Distrito Federal. Hoje em dia a cidade chega a quase 100.000 habitantes.
O município chama a atenção pelas suas cascatas, cavernas e fontes de água cristalina que fica a 7 km da cidade.
Santo Antônio também se destaca na agricultura, pecuária, comercio e indústria de onde vem sua principal fonte de arrecadação gerando empregos para seus moradores.





15/08/07

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Vizinhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos, como saberemos?

Bom, o meu foco aqui é vizinhança. A fofoca rola solta! Não, não é exagero! É incrível como tem gente que vive pra falar dos outros. Aqui na minha rua nem se fala! Tem “altos falantes” em toda esquina. Mas a gente acaba acostumando e leva até na brincadeira. Afinal, qual lugar é desprovido de fofoca? Sinceramente, acho que não há!
Tem certos moradores que nunca conversei. Não porque tenho antipatia. Mas porque são calados, mais reservados e não dão muita abertura para aproximações. A minha vizinhança é composta por pessoas de diferentes temperamentos. Uns são mais calmos, outros mais falantes, outros incisivos no que fazem. É uma mistura interessante!
Deixando um pouco de lado a vizinhança posso falar, também, do comércio local. Tem uma loja de sapato, um Pet Shop, um armarinho, uma pequena pizzaria, uma sorveteria, um salão de beleza e uma loja de roupa. É um comércio bem conhecido no Gama. É o comércio da 21 do Leste!
Aqui na rua já teve até a famosa Aquamania, uma escola de natação que ficava quase em frente a minha casa. Era um local bem movimentado. Crianças, idosos...todo mundo freqüentava.
Ah! Tem uma coisa que incomoda muito também. Cachorros! Muitos! Poucas são as casas que não os têm. Latidos, grunidos... tudo ao mesmo tempo. Já foi motivo de reclamação. Mas não tem o que dê jeito! Tem madrugadas que eles não param de latir. Daí a insônia ataca!
Mesmo com certos problemas, gosto do meu bairro... É lá que eu vivo!
Rebeca Campelo

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Vizinhança.

Vivemos em uma sociedade onde ninguém se ve morando sozinho, isolado. Fomos criados em uma cultura, onde temos que aprender a viver em união com o próximo, aprender a respeitar o espaço, a privacidade, a liberdade do outro.
Quando se pergunta o que é vizinhança logo vem um conceito básico: É o conjunto daqueles que habitam próximo a uma dada propriedade. Não deixa de ser isso também, mais pode ir além dessa simples definição.
A algum tempo atrás as pessoas podiam sair para as ruas e se reunir com os vizinhos para conversar, as crianças ficavam até tarde da noite brincando, jogando. Infelizmente isso mudou, primeiro vem a questão da violencia, as pessoas vivem com muito medo de sair nas ruas, segundo que ninguém tem mais tempo para participar de trabalhos comunitários, os vizinhos de apartamentos não fazem mais reuniões. Se voce vai até a porta de outra pessoa já passa a impressão de fofoqueira, não tem o que fazer, emfim, é preciso resgatar os valores de "boa vizinhança".

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vizinhança e o desrespeito ao meio ambiente: Queimadas



Em tempos de seca, uma das grandes preocupações do Governo do Distrito Federal, bem como de seus cidadãos, são as queimadas. No bairro de Vicente Pires, onde moro, grande parte dos moradores tem o “mau hábito” de queimar o lixo, ignorando totalmente legislação ambiental e desrespeitando a saúde e segurança da vizinhança.
Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), durante o período de junho a novembro, grande parte do país é acometido por queimadas, que se estendem praticamente por todas as regiões, com maior ou menor intensidade.
As queimadas somente são autorizadas pelo Ibama sob critérios técnicos. Ao receber a autorização para a queimada, o proprietário da área é instruído sobre a melhor maneira de executar o trabalho. O Ibama também distribui material educativo sobre as queimadas em regiões onde essa prática é usual. Em situações especiais, o Ibama pode proibir as queimadas, o que não impede que elas ocorram de forma ilegal, provocando incêndios florestais.
E essas queimadas que ocorrem na ilegalidade são as mais comuns ocorridas em Vicente Pires. No final de semana passado, meus novos vizinhos atearam fogo no lixo, ao lado do muro da minha casa, com labaredas chegando bem próximas ao meu telhado. Mas o desrespeito às normas ambientais quanto às queimadas não ocorre de forma isolada, pois diariamente ouço relatos de moradores reclamando de seus vizinhos que praticam o mesmo ato ilícito.


Por Elizângela Silva

Vizinhança e a fofoca



O que você pensa sobre ter vizinhos? Ou melhor, o que você pensa dos seus vizinhos? Por um lado, ter vizinhos quando se mora em uma rua é sinal de segurança, todos moram uns do lado de outros, conhecem a familia, sabe quando, onde e o que é feito por cada morador de cada casa na maioria dos casos. Mas até quando isso é bom?

Todos devem ter de frente a sua porta um(a) vizinho(a) fofoqueiro(a) e quem pensa que homem está de fora desse assunto está muito enganado!


Quem deve ter o maior conhecimento desses tipos de vizinhos são os adolescentes que não podem trazer um amigo novo pra casa, não podem namorar, não podem chegar mais tarde em casa que está a rua inteira sabendo. Até a virgindade de fulana de tal é motivo pra fofoca.

Mas por quê será que as pessoas tem tanta curiosidade de saber da vida dos outros, será que não tem outra ocupação? Se alguém engravidou todos comentam, se chega um caminhão das Casas Bahia todos querem saber o que compraram, se mudou a cor do portão uma boa maioria imita.
Talvez as pessoas façam isso para preencher um vazio que se aloja dentro de casa todos os dias, as vezes querem um amigo e buscam essa forma para conversar com os outros. Ninguém pode impedir que as fofocas sejam feitas então como é dificil não ligar para o que os outros dizem, temtem ao máximo evitar ser um objeto de fofoca! Faça tudo escondido!

Obs: Falando assim até parece que é ruim ter um vizinho, mas atire a primeira pedra quem nunca fofocou de um vizinho!


Por Érika Coelho


Vizinhança?

O que é vizinhança? É tudo o que está ao redor de um lugar. É o grupo de pessoas que moram próximas. Mas o significado de vizinhança não tem sentido se não houver a prática das relações sociais.
O Park Way é extenso e possui cerca de 23 mil habitantes. Nele existem 29 quadras, em sua maioria composta por condomínios fechados. Minha família está inserida nesses diversos números citados.
Moro no Park Way, na quadra 27, em um condomínio fechado composto por oito terrenos. Somente um terreno está vazio. Sete casas foram construídas, mas só 5 famílias moram no condomínio, uma casa está a venda.
Moro a três anos na minha atual casa, e não conheço ninguém além da minha família. Já vi alguns moradores do condomínio e só, no máximo há algum sussurro de “Oi” ou “Bom dia”, isso quando se esbarra no “vizinho”.
O meu condomínio é muito tranqüilo. Só há duas crianças pequenas, que não fazem barulho algum. Os outros moradores estudam e trabalham. À noite você sabe que os vizinhos estão em casa porque as luzes ficam acesas.
Essa atitude da vizinhança é boa e é ruim. Boa porque ninguém se mete na vida do outro, cada um respeita seu espaço e onde mora. Ruim porque se acontecer algo com algum vizinho não tem como pedir ajuda, pois ninguém se conhece direito.
Bom, aí está aminha vizinhança, mas será que tenho vizinhança?

Em Taguatinga, melhor lugar não há


Desde que nasci moro na mesma casa, com perspectiva de mudança próxima. Quando meus pais então a adquiriram, a parte movimentada de Taguatinga ficava concentrada no centro. Moro na avenida comercial, uma das vias mais movimentadas da cidade por conta dos inúmeros estabelecimentos comerciais. Com o avanço do centro (fato comum a maior parte dos locais de Brasília), a bagunça do centro chegou onde eu moro, fazendo com que me sinta ilhada e um objeto de curiosidade de quem passa pela comercial e percebe aquela casa sobrevivente ao caos de Taguatinga.
A lembrança dos vizinhos vem da infância, ainda assim raras, pois a maior parte dos lotes já estava sendo vendida para comércio. Por isso, muitas vezes fugia da minha rua e freqüentava a de amigos da escola, sentindo inveja dos piques-pega, bandeirinhas, sete pecados, cai no poço que eles podiam ter até a noite quando o meu cedo encerrava e ainda assim era raro na minha rotina.
Porém, a grande vantagem de se morar em um lugar como a avenida principal da cidade é toda a possibilidade de comércio, os vários tipos de pessoas que a freqüentam, o barulho gostoso de cidade urbana como as marchas de um ônibus às 06h30min da manhã. Isso é tão habitual que sem esse ruído, o sono não é tão tranqüilo e o silêncio passa a incomodar.
Do meu lado, existe um restaurante self-service de um peruano. O terceiro que abriu no mesmo lugar, sendo o primeiro de comidas árabes, o segundo sujo que logo fechou e este agora, com pessoas simpáticas e amigas e que já perdura por mais de 8 anos. Do outro lado, no lugar aonde existia uma casa de piscina na minha infância, hoje é uma construção interminável, sem um fim definido.
São todas essas peculiaridades que me fazem gostar do lugar onde vivo. Tudo que preciso é de tão fácil alcance e toda a vida urbana que me rodeia me alegra. Não me imagino em outro lugar que não exatamente este onde estou.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Um bairro chamado P.Sul

O Setor P. Sul é um bairro de Ceilândia(Centro de Erradicação de Invasores - Origem do nome), uma cidade do Distrito Federal. Compreende as quadras pares QNPs 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 26, 28, 30, 32, 34 e 36 cada qual composta de conjuntos de A a Z.
Um bairro que assim que surgiu era muito violento chegando a ser apelidado como caldeirão do inferno. Hoje o bairro conta com uma boa infra estrutura, possui delegacia, dois postos de saúde, farmácias, supermercados, feiras, escolas, museu e um sitio arqueológico.

História
O Setor “P” Sul Foi implantado em 1979 e ocupa cerca de 331 hectares, com 12.017 lotes, ou seja, 36,3 lotes por hectare.
Pontos de destaque
  • Sítio Arqueológico- localizado na Chácara Santa Terezinha n.º 112. Ele foi descoberto em 1996 pelo arquólogo Eurico Teófilo Mulher. Os primeiros fósseis, pedras e pontas de flechas de cristal, foram encontrados em 1997, com data indicativa de 10.000 anos.
  • Museu da Limpeza Urbana- Este museu foi inaugurado em 1996 próximo à Usina de Tratamento de Lixo. é possível encontrar peças e sucatas de objetos antigos juntamente com montagens feitas pelos trabalhadores do local.

É um bairro Otimo para se morar, fica próximo ao Pró-DF uma área espeifica para indústrias e comércio que gera mais empregos e também fica próximo a futura UNB de Ceilândia.

Por Érika Coelho

Caminhando pelo meu bairro percebi...

Muitos objetos e pessoas que compõe meu dia-a-dia frequentemente como o velhinho na parada que está sempre bêbado e aparentemente feliz, o cobrador descarado a olhar todas as bundas femininas que passam pela roleta, o velhinho que trabalha no Ponto Frio com sua camisa vermelha, bigodes preto e cabelos branquinhos, a menina que estuda no Sesi e que toda semana está com o cabelo de cor diferente.
As paradas estão cheias e rapidamente estão vazias... será que o nosso transporte é tão ruim assim como falamos? O da Ceilândia apesar do governo ter proibido as lotações rodarem está bom sim, não está maravilhoso, mas as lotações dão um jeito de circularem entre as quadras e ganharem o seu dinheiro honestamente, o que melhora o sistema de transporte pelo menos na rapidez.
Há pessoas feias, há pessoas bonitas, há gente educada, há também os não tão educados...
Ceilândia muito pelo contrário do que as pessoas pensam não é só lugar de bandido não, isso também tem mas é preciso lembrar que ha muitas pessoas batalhadoras que não merecem ser estereotipadas como favela.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Quem é o seu vizinho?


Antes das pessoas viverem na correria do dia-a-dia, na busca incessante pela melhoria de vida proposta pela modernidade ou globalização, elas sabiam o significado de vizinhança e vizinho. Mas nos dias atuais, se abordar alguém na rua e perguntar o que significam essas duas palavras, pode ser que não saia a resposta exata. O dicionário Aurélio diz que vizinhança é: 1. Qualidade do que é vizinho. 2. Pessoas ou famílias vizinhas. 3. Arrebaldes, arredores, cercania. E que vizinho é: 1. Que está próximo. 2. Que mora perto. 3. Limítrofe, confinante. 8. Aquele que reside próximo a nós. Verdade seja dita, nem todos sabem o que está escrito no dicionário, mas têm hipóteses do que seja.
No século XXI, as pessoas não têm mais o hábito de sentar na frente das casas para conversar, como era no tempo de nossos avós. Hoje dificilmente um vizinho sabe quem é o outro. Mas nem tudo está perdido. No conjunto C da quadra 03 do Setor O que os moradores ainda preservam esse costume. É claro que não dá para ser como antigamente. Entretanto, nos finais de semana as pessoas tentam se encontrar e bater um papo. A rua é toda cheia de árvores, datas comemorativas como festa junina, natal, ano novo, são comemorados por todos, cada casa contribui com algo. A modernização afasta as pessoas uma das outras. Existem programas em que as pessoas podem se comunicar sem ter o contato físico. Facilitando e atrapalhando ao mesmo tempo. O questionamento que se faz é: será que nossos avós trocariam as conversas, as risadas e o contato com as pessoas pela tendência da atualidade?


Por Karina Ferraz

domingo, 2 de setembro de 2007

Arrabalde do prazer

Fúlvio Costa


Boa parte das pessoas que moram próximas de minha casa são jovens-estudantes da Universidade Católica. Moro num prédio de três andares que fica na CSG 2, quadra em frente ao campus universitário. Outros são apenas trabalhadores assalariados que passam a semana fora. Essas pessoas como a maioria dos brasilienses, ficam fora de casa o dia inteiro e só retornam ao anoitecer, fazendo de seus lares somente um local para prática de funções primárias como dormir, se alimentar, descansar. Ao redor do prédio existem poucas residências. O horizonte dá lugar a espaços ainda vazios dominados pelo mato e galpões abandonados, cuja função é servir de subterfúgio de famílias carentes vindas do Nordeste que o assume como seu lar pelo tempo que puderem. As ruas são organizadas e todas asfaltadas, o que dá um aspecto agradável ao bairro. Ali também há um grande número de fábricas e distribuidoras de produtos alimentícios, móveis, refrigerantes. Mas o que de fato chama a atenção nas redondezas são os inúmeros motéis. Alguns servem de espaço e incentivo para prostituição de adolescentes e adultas, que trabalham na frente dessas casas recebendo uma quantia que ficam para si e a outra fica para o motel. As ruas também servem como espaço para aguçar ainda mais essa profissão informal e como conseqüência, o ambiente é regularmente freqüentado por homens à procura de satisfazer o prazer sexual, o que dá um aspecto e característica peculiar a essa parte de Taguatinga. O bairro já é conhecido por arrabalde do prazer. Falou em Taguatinga Sul, mais precisamente nas proximidades da UCB, já se sabe: paraíso de satisfação de prazeres.

sábado, 1 de setembro de 2007

Uma vizinhança unida

A história do bairro Quadra Norte L (QNL) está intimamente ligada à vida de seus moradores. É comum encontrar pessoas que há 20 anos moram no bairro, a vizinhança é antiga. Essa característica faz com que uns conheçam horários, sons, amigos, familiares e até as manias dos outros. A final compartilham o mesmo espaço.
No dia-a-dia os moradores se encontram na padaria, no supermercado, na escola, no sinal de trânsito, na Igreja, no calçadão e em diversos outros ambientes da QNL. Os arredores do bairro são familiares aos que lá residem.
A vizinhança é unida. Existem alguns moradores que se organizam para manter a limpeza e a segurança de suas quadras, as ruas possuem vigias noturnos, o churrasco no domingo é comum em muitas casas. Dona Zilda de Melo, moradora do bairro há 15 anos conta que gosta de morar neste bairro porque conhece a maioria dos moradores, seus vizinhos são seus amigos. “Aqui é o meu lugar, é muito bom bater papo com meus vizinhos. Às vezes, no fim de semana, fazemos almoço comunitário, um respeita o limite do outro, nos conhecemos há muito tempo e isso ajuda a convivência”, relatou.
O cuidado dos moradores com os becos, as varandas, faz do bairro um lugar mais suave e organizado. Sr. Medeiros, de 63 anos, diz que toda semana poda as árvores do beco da quadra, e limpa o seu jardim. Ele estimula a vizinhança para fazer o mesmo. “Sempre faço essa limpeza. Cuido da natureza porque isso alegra a minha vida e a vida de todos os que passam por aqui. Meus vizinhos me apóiam e seguem meu exemplo. Agora, praticamente todas as casas estão bonitas”.
A importância que pessoas como Dona Zilda e Sr. Medeiros dedeicam a QNL tornam o bairro um ambiente mais agradável para se viver.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Park Way, meu pequeno grande Bairro!

Apesar da sua idade, o bairro do Park Way é um dos bairros menos extensos do Distrito Federal. Junto com o projeto de Juscelino Kubitschek para Brasília, o Setor de Mansões do Park Way nasceu no território do DF.
Situado no decorrer da BR040 o, Park Way é distribuído por 29 quadras onde habitam mais de 23000 pessoas. As casas são de arquiteturas bem modernas e aconchegantes de acordo com o gosto de cada morador. A sua boa aparência é de muita importância, pois o local recebe um grande numero de turistas que passam pela capital todos os anos.
O fato de ser um local designado como residencial, o bairro não recebe nenhum tipo de comercio. Mas os maiores pontos turísticos de Brasília esta localizado nele. A Casa Niemeyer, o Catetinho, a Casa de Fazenda (Country Club), o Museu Vivo da Memória Candanga, a Mansão das Ocas são os principais.
Além de ser um lugar muito bonito estruturalmente, o Park Way é um dos locais mais calmos e com melhor convivência habitacional. Sempre mobilizados para defender o bairro, os moradores cuidam muito bem do local onde vivem. Apesar da sua pouca extensão territorial, o Par Way consegue receber grandiosidades como os museus e as inúmeras pessoas que amam o local.
Por Rayssa Maryanne

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Escancare seu id, acorde o ego e esqueça o superego


Um gostinho bom de morar em Taguatinga é todo seu aspecto de cidade do interior que ela conserva. Do tipo de moradores conversando nas portas de suas casas, vizinhos trocando favores, crianças brincando tranqüilamente em suas ruas. As padarias com seus donos antigos, grandes supermercados perdendo espaço para mercados de bairro, os pastéis bons e baratos, seus shoppings no meio da cidade disputando com pequenas lojas de comerciantes habituais.
Porém, existe um lado negativo que supera toda essa coisa boa de cidade pequena: o trânsito. Isso porque, sem dados concretos, só com uma visão pessoal do assunto; posso afirmar com toda convicção de que mais de 70% do terceiro setor trabalha no Plano Piloto. E com as várias reformas e "impostos aplicados", o tempo de volta ou ida duplicaram. Por exemplo, para se chegar no Setor Comercial Sul, praticamente o centro de Brasília, sem congestionamento, você leva 20 minutos. Com congestionamento, às 7:15 da manhã, trafegando pela Estrada Parque, pode ter certeza que um chamado de atraso você vai ter do seu chefe. E a volta? É preferível gastar um tempinho em algum lugar da cidade a voltar às 18 horas para Taguatinga.
Por isso, vá ao Parque da Cidade observar as pessoas ou mesmo as coisas simples da vida como o pôr-do-sol "la vie en rose" de Brasília; vá ao cinema curtir alguma estréia, tome um sorvete em algum canto da cidade, visite aqueles amigos que você nunca vê justamente porque moram no Plano. Ou se você tem nervos de aço, encare, mas encare com fé de que um dia as coisas podem mudar. Mas esteja ciente de que elas não mudarão. Por isso, para enfrentar essa nova realidade brasiliense, matricule-se em alguma aula de yoga e aprenda a apreciar obras clássicas. Elas te ajudarão a enfrentar o engate da primeira e segunda e alegria de colocar uma terceira às 18:30.

Terra de todos

Como moradora de Taguatinga e freqüentadora assídua do Plano Piloto, fica impossível falar de um sem ligar ao outro. Vivendo em Taguatinga desde o início da vida, me habituei aos costumes simplórios da cidade satélite. O primeiro deles é a localização dos principais serviços. Andar a pé se torna um prazer, quando se tem tempo, já que a vida urbana se divide em as mais variadas classes sociais, desde o mendigo até a socialite emergente.
E durante a semana observar estes variados tipos tornou-se uma confirmação de tudo aquilo que eu já imaginava. Os idosos em suas habituais tarefas de comprar a quantidade mínima de carne para seu almoço, estudantes voltando debaixo do sol escaldante de meio-dia para suas casas, self-services lotados pelos funcionários do comércio local, metrô cheio por aqueles que se dirigem aos serviços em outras cidades satélites. O espírito de Taguatinga ainda é o de cidade pequena, com meninos brincando de ‘’pega-ladrão’’ e ‘’pique-pega’’ despreocupadamente em suas ruas.
Há uma nítida diferença entre quem mora no Plano Piloto e quem trabalha lá. Oscar Niemeyer produziu a cidade com idéia na arquitetura européia. E isso gerou um distanciamento entre os moradores da cidade, com uma projeção espacial peculiar. Entretanto, a velha guarda brasiliense continua com sua vida de interior, indo às farmácias e comprando seus pães às três da tarde.
Mesmo com as peculiaridades, andando por qualquer cidade do Planalto Central, você vai observar a multiculturalidade, as diferenças que fazem da terra de Renato Russo um dos melhores lugares para se viver. Estranho para quem chega, apaixonante para quem vive.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Um lugar com muitas perspectivas de crescimento

Santo Antônio do Descoberto é uma cidade de muita perspectiva de crescimento, não é uma cidade grande, no entanto sua população juntamente com seus governantes luta para vê-la crescer. Uma cidade onde há 15 anos atrás não se ouvia nem falar, não existiam rede de esgoto, a maioria dos bairros não tinha água encanada, energia elétrica e nenhum tipo transporte descente para aquela população sofrida.
Hoje podemos dizer que a cidade vem crescendo em relação a vários aspectos, como exemplo: a rede de esgoto que já foi implantada em quase todos os bairros, a energia elétrica, a coleta de lixo, e o sistema de limpeza urbana, e também o asfalto que já percorre por vários setores da cidade. É claro que se espera muito mais avanço daqui pra frente.
Santo Antônio é um lugar que não tem muita estrutura por ser uma cidade com quase 100.000 habitantes, sendo a maioria vinda de outros estados, suas residências na maioria delas são casas simples não é um lugar arrojado, porém de pessoas muito acolhedoras e humildes. Ainda não me sinto satisfeita com saúde, educação, transporte e segurança na cidade, os governantes poderiam abrir os olhos e empenhar-se mais nas melhorias e recursos para que a qualidade de vida de seus habitantes sejam dignas e favoráveis a eles.
A cidade recebe muito incentivo ligado ao meio ambiente, e a preservação, e coloca em prática criando projetos onde a secretaria do meio ambiente da cidade realiza atividades de recuperação do meio, como o plantio de árvores, o gramado e leva também esse incentivo para dentro das salas de aula.

Uma nova percepção de vida

Moro no Setor o, bairro da cidade satélite Ceilândia. Nunca me interessei pelo bairro, sempre fui mais uma no meio da população. O meu desinteresse, não sei de onde vem, mas fui instigada a descobrir o que o meu bairro tem a oferecer a mim e aos demais moradores.
A semana foi passando e uma pergunta não saiu da minha cabeça. Será que sempre vivi na tão falada caverna de Platão? Percebi que só vejo a luz solar quando saiu para ir à universidade e quando regresso a minha casa. Não sei quem são os meus vizinhos, o que eles fazem, nem o que pensam a respeito do bairro em que moramos.
Com minha nova meta, meu olhar não hesitou em observar tudo em minha volta. No fim de semana as ruas são invadidas por crianças. É um corre-corre, uma gritaria, gargalhas constantes, uma verdadeira festa. Ninguém está preocupado em permanecer limpo, nem ficar calçado. É certo que está é uma imagem é de uma cidade do interiro, mas o mais interessante é que em meio ao avanço cotidiano, as crianças ainda tentam recuperar antigos hábitos.
No decorrer da semana a imagem é outra. O bairro fica calmo, as ruas silenciosas. Só se escuta os carros passarem, algum burburinho é possível ouvir e quando escuto, sei que são as crianças e os adolescentes indo ou voltando das escolas existentes no bairro. Mas a agitação que me impressionou, não está presente.
Descobrir que ao entardecer é possível ver o sol se por sobre o lago formado pela barragem do rio descoberto. O sol que eu não percebia, não observava e que não apreciava. O céu se torna alaranjado, a barragem vira um esplêndido espelho, o brilho impressiona. Agora a pergunta que não quer calar é: por que demorei tanto a descobrir tudo isso?
Por Karina Ferraz