Sou parte integrante de uma família que adora mudar, às vezes até brinco que somos nômades, que não consegue ficar muito em um só lugar, tem que estar mudando sempre. Talvez seja por isso que acabamos não criando muita amizade com nossos vizinhos e nem participando ativamente da nossa comunidade. Talvez não. Talvez sejamos apenas complemento dessa sociedade capitalista onde as pessoas gastam tempo demais trabalhando e resolvendo problemas e não sobra tempo para se relacionar com os vizinhos.
No meu caso, me considero parte do primeiro caso: minha mãe muda tanto que nem temos tempo para criar raízes em um lugar. No sudoeste, moramos há quase três anos. Mesmo assim não me considero parte integrante de nossa comunidade. Tanto que muitas vezes entre no elevador e me surpreendo com pessoas que nunca tinha visto antes e que na verdade, moram no mesmo prédio que eu há mais de dez anos. O interessante é que a surpresa é, muitas vezes, recíproca.
Mesmo assim, hoje, conheço mais os vizinhos do meu prédio, no sudoeste, do que os dos outros prédios onde já morei. Sempre que posso converso com meus vizinhos no elevador e procuro manter um relacionamento de “oi”, “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”. O que me falta é ser ativa nessa chamada comunidade, estando mais próximas dos meus vizinhos e até estreitando relações.
Agora, o que me espanta é ver que não só eu, que acabo não morando muito tempo no mesmo lugar, que não tenho uma relação de amizade dos meus vizinhos. Um amigo meu, que mora há 25 anos no mesmo prédio mantém com seus vizinhos a mesma relação que eu tenho com os meus. Ele mora a vida todo no mesmo apartamento e nem ao menos conhece o vizinho da porta ao lado. Onde estão indo parar o conceito de comunidade e vizinhança nas grandes cidades?
Danuta Ferreira
Nenhum comentário:
Postar um comentário